Video killed the radio star: a “volta” da MTV, poucos dias depois do funeral oficial

Video killed the radio star: a “volta” da MTV, poucos dias depois do funeral oficial Foto: divulgação

No último 31 de dezembro, a MTV puxou de vez o plugue de boa parte dos seus canais musicais 24 horas ao redor do mundo e, com isso, fechou mais um capítulo importante da cultura pop. Não é que a MTV ainda era a MTV como conhecíamos, ou tenha “acabado” por completo, mas aquele modelo clássico de ligar a TV e cair numa sequência infinita de clipes, vinhetas e comerciais com cara de outra era perdeu espaço oficial em vários mercados, incluindo Brasil, Reino Unido, França, Alemanha e Austrália.

O simbolismo foi perfeito, quase teatral. Em 1981, a MTV abriu sua história com “Video Killed the Radio Star”, do The Buggles. Quatro décadas depois, alguns desses canais se despediram justamente voltando ao ponto de partida, com o mesmo vídeo e encerrando de vez um ciclo com uma ponta de melancolia.

A decisão acontece num cenário bem menos romântico e bem mais planilha de Excel: a Paramount, empresa que controla a marca, vem passando por reestruturações e cortes, num mercado em que o consumo de música migrou de vez para plataformas sob demanda e feeds infinitos. YouTube e TikTok viraram a “TV” de muita gente, e o velho ritual de zappear por clipes perdeu tração como produto de distribuição tradicional já há algum tempo.

Na prática, o que sai de cena é o coração musical que ajudou a definir a MTV para gerações, enquanto o canal principal e versões em HD seguem vivos em alguns lugares, só que com a programação mais inclinada ao entretenimento e reality, bem longe do espírito VJ, vinheta maluca e descoberta aleatória de bandas, que é o que a gente amava. É a MTV do nosso tempo: menos rádio em forma de TV, mais vitrine de formatos que ainda seguram audiência linear. Até quando, não sabemos.

Mas como sempre tem por aí as almas resistentes, logo após o funeral oficial da MTV um entusiasta colocou no ar o MTV Rewind, um site gratuito que tenta recriar a experiência da era de ouro com uma lógica simples. Em vez de algoritmo mandando em você, são “canais” organizados por períodos, levando o público numa viagem cronológica que começa no “primeiro dia” da MTV, em 1981, e avança década a década até os atuais anos 2020.

O acervo é gigantesco. Segundo a descrição do projeto, o MTV Rewind já reúne mais de 27 mil vídeos entre clipes clássicos e comerciais vintage, todos puxados do YouTube e apresentados como se fossem parte de uma programação contínua, daquele jeitinho que a emissora fazia, com um clipe atrás do outro e, de repente, um comercial antigo e nonsense que te teletransporta direto pra sala da casa da sua infância. Como bônus, o site ainda abre espaço para arquivos de programas marcantes como “Yo! MTV Raps” e “Headbangers Ball”.

No topo da página, a promessa é direta: “free forever”, sem anúncios. Quem quiser apoiar, pode doar ao criador, conhecido como FlexasaurusRex. 

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Postado por Alisson Guimarães   dia 07/01/2026
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