O pessoal lá fora não tem Carnaval, né? Daí eles começam o ano já no 1° de janeiro e pau na máquina. Tristeza deles, sorte a nossa. Já temos uma boa lista de novidades com o selo 2026 para curtir.

Talvez o trabalho do inglês Cavetown, aka Robbie, cantor, compositor e youtuber, seja perfeito para entender como funciona a mente da geração Z. Sua música é veloz, varia sem medo do lo-fi para o hyperpop e vai de vocais fofos para guitarras absurdamente pesadas sem medo de ser feliz. Expandindo as fronteiras do seu quarto, morada de suas primeiras gravações tosquinhas, sua vida pessoal também foi aberta ao público recentemente. Em 2024, um post seu sobre sua dificuldade em se aceitar como homem trans gerou uma corrente de amor online, com os fãs também abrindo seus corações e entendendo se tratar de um processo longo e difícil. Essa maré boa parece ter influenciado o resultado de “Running with Scissors”, seu próximo álbum, previsto para 16 de janeiro.
O parça A$AP Rocky resolveu sair um pouquinho de casa, diferentemente da sua esposa. O sucessor de “Testing”, lançado no distante 2018, vai se chamar “Don’t Be Dumb” e também será lançado agora dia 16/1. Pelas inspirações apresentadas no single “Punky Rock”, que vem com um vídeo legal, dá para prever que o rapper pode entregar, na real, uma releitura do pós-punk e até do grunge mais radiofônico. Cedo para definir se é interessante, mas certamente, levando em consideração este single aqui, tem tudo pra ser grudento, viu?
O mundo anda horrível, mas a turma do Dry Cleaning pede que você “não desista de ser doce”. Este chamado à alegria veio após Florence Shaw, vocalista da banda, não aguentar o volume de notícias terríveis: o crescimento da “machosfera”, o genocídio na Palestina, o crescimento da extrema-direita no Reino Unido e a IA tomando conta das áreas criativas. Se identificou com ela? Tente experimentar este antídoto composto pela vocalista, na forma de “Joy”. Deixa um amargo na boca, mas promete melhora rápida.
Em um papo com o empresário do ex-One Direction Louis Tomlinson, a turma do familiar e peculiar grupo britânico The Cribs assuntou de escrever músicas para o cantor pop. Bizarro, né? Mas eles escreveram uma já no dia seguinte à conversa e ela se chama “Never the Same”, esta aqui. Detalhe: resolveram ficar com a música para eles mesmo! A tese levantada pela banda é que o processo de criar para um terceiro trouxe uma leveza e eles acabaram curtindo demais o resultado. Uma trapaça criativa, digamos. E, de fato, a música lembra o Cribs antigo, despretensiosos, jovens de tudo.
A versão k-pop das Nações Unidas, o KATSEYE, fechou 2025 com dois hits imensos. Sem medo de se jogarem no rolê musical, elas vão de Camila Cabello em um som para Gwen Stefani em outro. Essa falta de uma unidade é natural para um grupo com essa pretensão de conquistar o mundo. O novo single, “Internet Girl”, tem algo mais Charli XCX, mas com metade da ironia. Se forem odiar a música, elas já se prepararam: “Click it, click it, ooh, you hate it, jealousy’s so overrated”, diz um dos versos. Decora para o Lolla-BR, em março.
Vai provocar urticária em muita gente, mas é legal (sério!) a mistura de Foo Fighters com o Two Door Cinema Club promovida pelo inglês James Marriott. Pelo menos ele se sai melhor que Dave Grohl e companhia quando tentam ir para um lado mais dançante da força. Como a comparação entrega, é um pop incapaz de machucar alguém, mas pode render bons momentos de diversão e alguns riffs grudados na sua cabeça. Isso basta na maior parte do tempo, né? Ah, depois que pensamos em comparar ele com o Two Door descobrimos que eles vão tocar juntos na Austrália. Levamos jeito para isso de armar shows, hehehe.
A empolgação do mundo mainstream com o rock radiofônico do Yungblud é aquele sinal de tempos ruins para o gênero. Mas sua popularidade parece capaz de colocar os tiozinhos ao seu lado. Depois de tirar o Aerosmith da aposentadoria, foi a vez de convencer Billy Corgan e companhia a dar o devido peso da banda para a originalmente fofa “Zombie”. Ficou trevoso. Radiofônico, sim, mas trevoso.
Existem duas Los Angeles: a solar e a noir. A segunda é o cenário habitado pelo Luster, banda de shoegaze local. Esta “Don’t Need You” é a trilha sonora perfeita para descer a noite de moto pelos vales escuros da cidade – nos sonhos, lógico. Sejamos lynchianos em 2026. Uma das camisetas do merch do Luster diz que “Música é igual a lixo”. Pesaram na metáfora, mas ajuda a decifrar o som deles.
Na mesma linha de sonhos intensos na madrugada vem o Dream Fatigue, de Massachusetts, EUA. A banda também sofre do problema moderno de disponibilizar o mínimo de informações a seu respeito. Por isso, a gente precisa comentar o que todo mundo comenta sobre o grupo: a vocal parece a Hayley Williams ligada no modo turbo. O máximo que a bio deles no Bandcamp conta é o mantra “dreamin’ endlessly”. Ok, então.
Lembra o She & Him? O fofíssimo duo indie pop americano formado por Zooey Deschanel e M. Ward chegou a ser uma sensaçãozinha nos anos 2010, mas só foi entrar na “Billboard” pela primeira vez no finzinho do ano passado, quando a música “I Thought I Saw Your Face Today”, presente no primeiro disco deles, de 2008, viralizou no Tik Tok associada a vídeos de retrospectivas do ano. Por ter se tornado viral, ela aparece no Brasil em playlist do Spotify ao lado de hits como “Alô, Virginia”. Ir de zero a 100 assim só por aqui.
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* Na vinheta do Top 10, o cantor e youtuber inglês Cavetown.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.