Damos sequência à lista publicada há algumas horas como primeira parte de um apanhado dos 15 motivos que nos dão pinta de que este ano novo vai ser demais. Foram sete no post anterior, do disco novo da Lana Del Rey até a Copa do Mundo, passando pelo disco de estreia do Ottopapi, o show íntimo do Cameron Geese no C6 Fest, a confirmada segunda edição do No Line-Up Festiva, da Heineken, o segundo disco da Chococorn e a peça nova do Felipe Hirsch com o Chay Suede.
Se você achava que já tava bom de razões para amar 2026, então segura mais oito!!

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Donos do topo de quase todas listas de melhores álbuns do ano de 2025 (inclusive da Popload), o príncipe latino Bad Bunny e a santa espanhola Rosalía já têm data marcada para fazer do Brasil palco de suas turnês mundiais. A venda de ingresso de ambas as atrações que falam em espanhol causou furor e “sold out” no primeiro dia, logo abrindo inevitavelmente a um segundo. Benito em São Paulo, Rosa no Rio de Janeiro. Um em pleno Carnaval, a outra no inverno carioca, se é que ele existe. Bad Bunny promete trazer para o Allianz Parque nos dias 20 e 21 de fevereiro a experiência quase lendária da sua residência em Porto Rico: a “casita” montada no palco, muita festa, o sapo Cancho como mascote, e além de tudo uma música exclusiva no setlist, por noite. A turnê mundial “Debi Tirar Más Fotos” já passou pela República Dominicana, Costa Rica e pelo México, deixando claro que não se trata apenas de um show, mas de uma celebração com forte impacto cultural da sua era mais ambiciosa até aqui. Já o que Rosalía vai entregar no Rio ainda é um grande ponto de interrogação. E isso só aumenta a expectativa. Com a turnê Lux Tour estreando em março, em Lyon (França), várias perguntas seguem no ar: como transportar uma orquestra para os palcos? Haverá espaço para o repertório do álbum anterior, o “Motomami”? O que se sabe, por enquanto, é que o público brasileiro será privilegiado já que a cantora está declaradamente apaixonada pelo Rio de Janeiro, inclusive passando a virada do ano na Cidade Maravilhosa dando rolezinhos pelas favelas e curtindo um bom funk. Rosalía bota seu inacreditável álbum “Lux” no palco da Farmasi Arena nos dias 10 e 11 de agosto.


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Em 2025, Charli fechou com chave de verde neon sua era brat: dominou os principais festivais do mundo, casou-se em uma cerimônia digna de editorial de moda na Sicília e, como toda grande popstar contemporânea, ainda se viu no centro de uma polêmica com Taylor Swift. Mas, se alguém achou que 2026 seria um ano de descanso, errou feio. Charli vem aí para mostrar um novo lado, agora com pés, voz e rosto cravados nos cinemas. Logo em janeiro, marcado para dia 30 no mercado gringo, chega “The Moment”, mocumentário da A24 idealizado e protagonizado por ela, com direção de Aidan Zamiri. O filme acompanha uma popstar às vésperas de sua primeira grande turnê, misturando humor e críticas ao universo da música. Logo em sequência, Charli aparece em “I Want Your Sex”, novo projeto do diretor de filme cult Gregg Araki, filme já bastante falado desde 2024, o ano do álbum “Brat”, e que estreia numa tela no festival de Sundance em 23 deste mês antes de ocupar as telas “normais”. E, para fechar o pacote, às vésperas do “Valentine’s Day” gringo, 13 de fevereiro, a estreia da nova adaptação do clássico dramão amoroso, gótico, erótico “O Morro dos Ventos Uivantes”, com trilha sonora composta e assinada por ela. Tudo original. Já conhecemos duas dessas canções, lançadas como singles. Uma delas inclusive com a participação do veteraníssimo músico John Cale, um dos fundadores da mitológica banda Velvet Underground. Olha o tamanho que ficou a querida!
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Outra obra que já está causando burburinho para este novo ano é “Peaky Blinders: O Homem Imortal”, também chamado de “The Immortal Man”, filme que dá continuidade à famosa série de drama criminal. O longa marca o retorno do grande ator britânico Cillian Murphy ao papel de Tommy Shelby, em uma trama ambientada em Birmingham, em 1940, sob o peso do caos da Segunda Guerra Mundial. Dirigido por Tom Harper e com roteiro do criador Steven Knight, o longa acompanha Shelby voltando de um “exílio voluntário” para encarar seu acerto de contas mais violento, com o futuro da família e do país em jogo, enquanto precisa confrontar o próprio legado e seus demônios. O filme terá estreia nos cinemas no mundo todo dia 6 de março e chega ao catálogo da Netflix duas semanas depois, em 20 de março de 2026, com um elenco de peso que inclui Rebecca Ferguson, Barry Keoghan, Tim Roth, Stephen Graham e Sophie Rundle, além de Ned Dennehy, Packy Lee, Ian Peck e Jay Lycurgo, com produção liderada por Guy Heeley, Patrick Holland e pelo trio Knight, Murphy e Harper. Já pode comprar ingresso? Abaixo, o trailer:
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Agora vai. Neste ano novo deve sair finalmente o primeiro álbum da Buk, que desafia estruturas várias e camadas muitas para ser um grupo indie em Belém do Pará com nome inspirado no fascinante poeta e romancista americano (alemão?) obsceno e alcoolatra Charles Bukowski. Não que seja o primeiro lançamento do quinteto, liderado pelo cantor Gustavo Rodrigues e pelo guitarrista Marcelo Damaso, capo do Se Rasgum, um dos principais festivais brasileiros. A Buk, que tem mais ou menos três anos de vida, já tem dois EPs lançados, mas como fita k7, por que não? Indie é assim em Nova York, Londres, São Paulo ou Belém. O disco está com o nome provisório de “Sujo Olho Vermelho”, e a banda até diz que esse é o segundo álbum. Porque eles têm planos de juntar os EPs anteriores num vinil e chamá-lo de primeiro álbum. No ano (passado) em que a paraense Gaby Amarantos lançou o ótimo álbum “Rock Doido”, doideira local mesmo é a da Buk, que emula tropicalidade na sonzeira de bandas como Guided by Voices e Pavement, além de enxergar também Father John Misty e Beach House quando o que sai dos PAs vai menos punk e mais viajante nas canções. Mas não se engane: a referência é toda gringa, mas as músicas, em português. A Popload já ouviu algumas faixas novas e o biscoito é finíssimo. Mas finíssima mesma é uma história da Buk que QUASE deu certo, mas é muito boa ainda assim, em termos. No começo da banda, nome resolvido e tal, eles recriaram à moda Buk a música “Só Morto”, do grande músico Jards Macalé. A ideia em cima dela era botar um poema do Bukowski, narrado pelo próprio Jards Macalé. Em 2024, Jards participou como atração do Se Rasgum e ouviu a música homenagem, no camarim. E topou recitar o Bukowski. Só que o tempo passou e Jards Macalé veio a morrer em 2025 sem que eles gravassem o poema. O irônico é que Jards se foi sem gravar (de novo) “Só Morto”. Mas de todo modo a música deve ser lançada em single à parte pela Buk, também neste ano, talvez pelo guerreiro selo carioca Midsummer Madness.

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Depois de tocarem em 2025 para quase 3 milhões de pessoas em 41 shows de estádios e arenas ao redor do mundo, Noel e Liam Gallagher ainda não divulgaram o que será do Oasis daqui para a frente. A única certeza é que em 2026 virá ao mundo o tão aguardado documentário sobre os bastidores do reencontro entre os irmãos após 15 anos sem se falarem, em um documentário que promete mostrar as tratativas do retorno da banda e registros dos shows que definiram a cultura pop em 2025. O filme tem a produção de Steven Knight, responsável pelo grande sucesso da série “Peaky Blinders” e roteirista do próximo filme da franquia 007. Além dele, outros nomes de peso como Dylan Southern e Will Lovelace, que já estiveram envolvidos em produções incríveis como “Shut Up and Play the Hits” (LCD Soundsystem) e “Meet Me in the Bathroom” assumem a direção. Dizem, vai ter até o momento em que Noel e Liam se encontraram em uma sala pela primeira vez. Imagina…

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É a terceira tentativa de o mercado brasileiro, em particular o paulistano, absorver em seu calendário o espetacular Primavera Sound, do original de Barcelona. O principal festival de alma independente do planeta primeiro foi importado no país pela empresa Live Nation, que o realizou no Anhembi, ou Distrito Anhembi, em 2022 e entre suas atrações teve Arctic Monkeys, Travis Scott, Bjork, Lorde e uma jovem Charli XCX pré-Brat. Foi o famoso “festival das árvores”. Depois outra produtora, a Time for Fun, pegou o Primavera Sound para si, anunciou um contrato de dez anos, mas só botou de pé a edição de 2023, com The Cure, The Killers, um tumultuado show do nosso CSS, só que desta vez em Interlagos. Agora, pelas mãos da produtora carioca Bonus Track, foi confirmado que uma nova edição paulistana do festival espanhol vai acontecer neste ano, nos dias 5 e 6 de dezembro, também em Interlagos. A Bonus Track, entre outras coisas, é responsável pelos gigantescos shows gratuitos na praia de Copacabana (Todo Mundo no Rio) e o brasileiro Doce Maravilha. A empresa de entretenimento promete que o line-up do Primavera Sound São Paulo 2026 vai ser divulgado entre março e abril.

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Depois de anos de espera e teorias que viraram hobby oficial da galera da internet, “Euphoria” finalmente tem data pra voltar. A 3ª temporada chega à HBO em abril, ainda sem dia exato definido, e já nasce como uma das grandes notícias da cultura pop em 2026. A produção retorna com boa parte do elenco principal, incluindo Zendaya, Sydney Sweeney, Hunter Schafer, Eric Dane e Jacob Elordi, e traz a história com um salto no tempo, mostrando onde a turma foi parar depois do colégio e do caos emocional que virou marca registrada da série. Nos novos episódios, Rue reaparece no México, endividada com Laurie e tentando se virar pra pagar o que deve, enquanto Cassie vive no subúrbio com Nate, noiva, viciada em redes sociais e obcecada pela “vida perfeita” que imagina que os ex-colegas estão levando. Sam Levinson, criador da série, ainda cravou que Cassie e Nate se casam e prometeu uma noite “inesquecível”, além de atualizar o resto do tabuleiro: Jules em art school, Maddy trabalhando em Hollywood numa agência de talentos e Lexi como assistente de uma showrunner interpretada por Sharon Stone. Para coroar o retorno com ares de grande evento, a temporada ainda adiciona ao elenco estreantes como Trisha Paytas, Natasha Lyonne, Danielle Deadwyler e a popstar Rosalía. Estamos prontos?

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As coisas agora estão menos estranhas para o grupo catarinense Exclusive Os Cabides, umas das principais formações independentes deste país varonil. Menos estranhas, porém não menos estusiasmantes. Se em 2024 eles estouraram com o disco “Coisas Estranhas” e em 2025 eles encararam palcos mil, inclusive uns grandões tipo o do Popload Festival (cóf). Agora o quinteto prepara outros ataques para 2026, a começar por um EP novinho para os próximos meses, com seis faixas inéditas. Uma delas é “Gaita em Formato de Trem” (esses nomes deles…), que a banda estreou ao vivo em agosto último no Sesc Belenzinho, em SP, e já virou uma espécie de “queridinha dos fãs”. Outra é “Bicicleta”, que junto com “Gaita” nos ajuda a pensar que os caras (e as minas) irão atrás de uma pegada ainda mais garage rock, agora. Será?

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* Esta lista foi escolhida e editada por Lúcio Ribeiro, Alisson Guimarães e Vinicius Dota.