Popload na Espanha, no maior festival indie do mundo. O Guardiola também. O Grian Chatten, do Fontaines D.C. também. Todo mundo aqui.
Em seu segundo grande dia, o da sexta, o Primavera Sound Barcelona foi o seu normal. Muita gente, muita banda boa para ver. E o melhor de tudo: sem a traumática chuvarada do dia anterior.
Nosso correspondente barcelônico primaveril Anderson Foca narra suas aventuras do auditório para os palcos menores e para os palcos gigantescos do PS 26.
Fala, Foca.

Se teve bode no primeiro dia do Primavera Sound, nem lembro. Notei isso assim que saí do histórico show do The Cure ontem no festival de Barcelona. Conto tudo daqui a pouco.
O sol saiu, nas previsões da cidade marcava que a próxima chuva relevante só cairia em dez dias e a gente teve de volta o Primavera Sound como conhecemos. E que dia.
Sem uma rota fechada de shows, deixei a vida me levar e comecei assistindo dentro do auditório a espetacular Annahstasia. O que foi aquilo? Uma voz de trovão, grave, poderosa, cortada, diferente cantando umas melodias estranhas e muito bonitas acompanhada de harpa, cordas e violões. Top 5 do PS, fácil.
Vi as Las Petunias daqui mesmo da Espanha com um punk ainda em desenvolvimento e cai na outra ótima surpresa do dia: os irlandeses NewDad.
Que show gostoso. Um indie cheio de refs dos Smiths e do próprio Cure com uma vocalista superfofa e músicas gostosas. Salvei elas nos players imediatamente para ouvir com calma depois. Ainda tocaram uma dos Yeah Yeah Yeahs (“Heads Will Roll”). Fera!
Lá de longe vi um pedaço dos icônicos Slowdive para descer para o meu cantinho preferido do Primavera Sound, os dois menores palcos um de frente pro outro, no que a gente chama carinhosamente de “Baixo Primavera”.
O festival curte trazer pilares do emo americano e essa escalação do Texas Is the Reason pegou geral de surpresa, também. Que show! Que caminho nostálgico. Uma pedrada.
E, sem respirar, o “Baixo PS” entregou um dos melhores show de toda a programação: os indecifráveis Water from Your Eyes.
A coisa já começa no visual. Três dos músicos vestidos no esquema “moda evangê” e a vocalista cosplay da Janis Joplin. Começa o show fica tudo meio torto, as guitarras fazendo mil riffs, quando o baixo tá no set o drive ronca o céu e a vocalista canta melodias pop como se nada estivesse acontecendo. Fuderoso em todas as camadas. Recomendo ouvi-los com atenção (para quem ainda não foi neles).
Precisei sair antes da última música para me posicionar para o Cure e a tempo de ver um pedacinho da Addison Rae. Pop de novela (cheio de malícia). A meninada curtiu.
Ai veio então The Cure e me abriu um caminho memorial que eu não esperava. Me arrebatou. Vou tentar descrever, mas falharei.
Foi o maior tempo de show que já vi em 11vindas ao Primavera Sound. Duas horas e meia de caminhada. É como a cura mesmo, vai te dando doses de lembranças, de partes da sua vida que você não acessa com frequência. É um show sem pressa, feito pra ser degustado, não para virar a dose de uma vez.
Robert Smith sabe que é icônico, influente e está com a saúde vocal intacta. Teve momentos que entrei em transe. Chorava copiosamente lembrando da minha vida muito jovem e já na música quando morava em Belém. Do meu lado, vários jovelhos de muitas partes do mundo claramente fazendo essa mesma travessia.
Quando acordei, faltavam 40 minutos para o show terminar e eles agradeceram o público tocando DEZ HITS mundiais em sequência, para terminar a trip com o seu lado mais pop.
Uma dos melhores shows da minha vida e caio de novo no choro só de escrever isso aqui.
Puxei o fôlego, fui atrás de comer algo e ainda vi o Skrillex destruindo a pista com seu DJ set fulminante e inconfundível. mas já não tinha condições de ver nada depois da cura.
A redenção do Primavera Sound com o desastre chuvoso do dia anterior não demorou nem 24h para acontecer Que dia absurdo de shows. E neste sábado fecha-se a tampa!
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* A foto do Robert Smith em ação com seu The Cure no Primavera Sound foi tirada do site americano “Brooklyn Vegan”.