Em senso de retomada, Death Cab for Cutie solta “I Built You a Tower”, primeiro álbum desde 2022

O Death Cab for Cutie lançou hoje, 5 de junho, “I Built You a Tower”, seu 11º álbum de estúdio. O disco marca uma mudança importante na trajetória da banda: é o primeiro lançamento do grupo por um selo independente Anti- em duas décadas, depois de mais de 20 anos ligado à Atlantic Records. O trabalho sucede “Asphalt Meadows”, de 2022, e foi produzido e gravado por John Congleton.

O álbum nasceu depois de um período de forte retomada do passado da banda nos palcos. Nos últimos anos, o Death Cab revisitou os aniversários de 20 anos de “Transatlanticism” e “Plans”, enquanto Ben Gibbard também voltou a cantar com o The Postal Service em shows comemorativos de “Give Up”. 

Segundo o guitarrista e tecladista Dave Depper, essas turnês tiveram impacto direto no novo disco. “Havia uma sensação de existir uma força maior do que nós, não necessariamente em um sentido espiritual, mas na comunhão com o público a cada noite. Era algo muito concentrado e em uma escala épica. Parecia importante conseguir acessar essa energia e, de alguma forma, transferi-la para o sentimento deste novo álbum.”

“I Built You a Tower” também foi atravessado por um momento pessoal difícil para Gibbard, que viveu uma separação e o fim do casamento durante esse período de turnês. O título do disco se conecta a essa ideia de criar uma estrutura emocional para guardar perdas e seguir adiante. “Existe essa necessidade de encontrar um lugar dentro de nós para colocar a perda e o luto. Um lugar que consiga segurar isso para que possamos continuar nossas vidas. Mas existem momentos em que o trauma rompe essa casca que criamos para ele”, explicou o vocalista.

O processo de gravação aconteceu em três semanas, em setembro do ano passado, no Animal Rites, em Los Angeles, e também nas casas dos integrantes em Seattle, Bellingham, Los Angeles e Portland. A banda começou a escrever o material entre 2023 e 2024, durante os intervalos das turnês. 

Gibbard disse que não queria fazer uma continuação direta de “Transatlanticism”, mas queria entender o que fazia aquelas músicas seguirem conectando com o público. “Meus melhores trabalhos são as peças emocionalmente honestas, sinceras e abertas. Acho que muitas das minhas melhores músicas são as que têm muitos detalhes. Elas meio que cantam como pequenos filmes.”

John Congleton também teve papel importante em evitar que o disco fosse polido demais. Gibbard explicou que a banda buscou manter imperfeições naturais nas gravações. “A perfeição é inimiga da boa música rock, da boa música de guitarra. É o atrito entre os instrumentos. É o fato de uma guitarra estar um pouco desafinada em relação à outra. É o baterista acelerar um pouco no refrão. É o vocal estar levemente fora do tom ou a harmonia oscilar um pouco em relação à voz principal. Todos os nossos discos favoritos soam assim.”

Com o lançamento de “I Built You a Tower”, o Death Cab for Cutie também volta à estrada para apresentar músicas novas pela primeira vez desde 2022. A banda já havia anunciado uma turnê norte-americana e acrescentou uma etapa europeia à agenda. 

Segundo Dave Depper, depois de revisitar discos clássicos nas turnês de aniversário, o grupo entra nesta nova fase com outro tipo de repertório. “Todo amor pelos discos que apresentamos com carinho, mas é muito bom tocar material novo de novo.”

Confira, abaixo, o novo álbum.

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