Foto: divulgação
Uma das grandes bandas inglesas da atualidade, o Wolf Alice, que vem ao Brasil para estrelar o C6 Fest deste ano e com uma esticadinha no Rio de Janeiro, tem rodado o mundo para divulgar o bem bom “The Clearing”, álbum lançado ano passado.
Em recente passagem pelos Estados Unidos, com uma turnê bastante elogiada, a armada inglesa passou pela tradicional rádio Q101, de Chicago, onde fez uma session acústica e bateu um papo com a turma local.
Diferente dos trabalhos anteriores, “The Clearing” nasceu sob uma espécie de “livro de regras”. O baixista Theo Ellis e a vocalista Ellie Rowsell explicaram que, pela primeira vez, o grupo estabeleceu diretrizes claras sobre a sonoridade que desejavam alcançar antes de iniciarem as gravações. O processo de composição ocorreu em Seven Sisters, no norte de Londres, onde os membros se reuniram em um círculo com violões acústicos, deixando a tecnologia de lado para focar na essência das canções.
Segundo a banda, o piano assumiu o papel de “espinha dorsal” do disco, servindo como o ponto de conexão central entre as faixas, mais do que em qualquer outro registro anterior. Essa nova dinâmica trouxe um frescor ao grupo, que mantém sua formação original há quase 15 anos.
A produção contou com a participação do renomado Greg Kurstin. Embora o Wolf Alice raramente abra espaço para colaboradores externos na composição, a presença de Kurstin foi descrita como um aprendizado. “Ele é um mestre no que faz. Foi um privilégio vê-lo trabalhar e contribuir com progressões de acordes enquanto experimentávamos no estúdio”, afirmou o Theo.
Ellie Rowsell também comentou sobre a carga emocional das letras. Questionada sobre a honestidade de suas composições, a cantora revelou que, após os desafios de exposição em álbuns passados, como o Blue Weekend, ela se sentiu mais confortável em explorar a vulnerabilidade neste novo projeto. A faixa “Thorns”, tocada na session, foi citada como um mergulho direto nessas sensações de abertura pessoal.
Ao final da conversa, Ellie destacou o protagonismo feminino na música atual, citando artistas que a inspiram “em tempo real”, como Ashley (da banda Sorry), Julia Cumming (Sunflower Bean) e Bria Salmena. “É brilhante ser inspirada por mulheres que estão tocando e criando agora”, contou a cantora.
Abaixo, a entrevista e a session que contou também com as faixas “Just Two Girls” e “The Sofa”.