
Finalmente alguém tomou coragem e lançou um disco cheio no meio da Copa do Mundo. Competindo atenção com mil partidas, Rincon Sapiência traz “Corpo Preto” estampando na capa uma bela camiseta da seleção do Congo. O discaço do momento, literalmente.

O homem tirou um tempo para pensar. Depois de dois álbuns seguidinhos que popularizaram ainda mais seu nome, “Galanga Livre” e “Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps”, lançados entre 2017 e 2019 respectivamente, Rincon chega sete anos depois com este “Corpo Preto”, lançado nesta semana. A capa do álbum já ilumina as ideias: Rincon aparece em um campinho de quebrada cercado por camisetas de seleções africanas, com especial destaque a camiseta do Congo – que quase eliminou a Inglaterra nesta Copa do Mundo. Vale lembrar que o rapper jogou bola e era dos bons: o apelido Rincon veio daí. Discutir a diáspora em torno das batidas e da bola é o meio. Em “Homem Gol”, por exemplo, se apresenta o antigo dilema do esporte como das poucas oportunidades de ascensâo social: “Dúvida, crime, o trampo, o campo/ Qual a opção pra dizer ‘fita boa’/ Sem poder saber qual vai ser pra vencer/ E alcançar o clichê, uma casa pra coroa”.
Ouvimos a mineirinha Julia Guedes por aí há tempos, especialmente em faixas de outros músicos, onde costuma participar com seu piano – são dela quase todas as teclas em “Areia e Voz”, de Tori. Mas vem logo mais sua estreia solo prevista para agosto antecipada em um especial single triplo com as músicas “Contra o Medo”, “Poesia Total” e “Zóim”, essa última com arranjos de Wagner Tiso. Aliás, um dos trunfos de Julia parece ser unir a geração de seu avô, Beto Guedes, com sua geração, formada pelas amigas Dora Morelenbaum, Tori e Luiza Brina. Passado + presente = futuro.
Prestes a uma série de shows grandões para se despedir do imenso “Caju”, Liniker resolveu já dar uma pista do futuro em novo single. “Melhor Notícia” segue a dica da excelente “Charme”. Soul de presença radiofônica com refrão viciante e letra apaixonada derretida entre sopros e uma guitarra que parece saída diretamente dos anos 1970. Ela vai dizer adeus a “Caju”, mas a melhor notícia é que os futuros hits já estão a caminho.
Alguns vão dizer que a Winter é mais norte-americana que brasileira e tudo bem. Ela foca mesmo sua carreira mais no exterior do que aqui, mas se ela nasceu em Curitiba quer dizer que ela é muito nossa também. E adoramos a nova versão para “Hollow”, som que encerra seu mais recente álbum, “Adult Romantix”, lançado em 2025. Traz uma vibe mais sujinha e direta para canção.
Um dia Raquel Diamantas compartilhou uma foto do seu filhinho com a mensagem: “Meu mundo ampliou, meu centro mudou… ficou tudo de cabeça pra cima. Amo ser sua mãe, meu amor”. Mas a cantora, compositora e instrumentista queria mais e vem mais um filhinho aí. A novidade mereceu uma música todinha dedicada ao filhote, que terá todo o tempo dela. Uma canção fofíssima com ares do melhor da jovem guarda.
Djavan tem um pecado na carreira. Nunca gravou uma de suas melhores músicas, “Nuvem Negra”. Registrada em 1994 por Gal Costa como “O Sorriso do Gato da Alice”, a letra é uma descrição e tanto sobre depressão muito antes de a saúde mental ser um assunto diário. Regravada ainda por Nana Caymmi e pela francesa Camille Bertault, a canção ressurge através de uma parceria de Linn Da Quebrada com o cidadão Fernando Catatau. A melodia triste é transportada para 2026 e ganha aspectos de glitch. A textura eletrônica quebrada vai dar base para Linn trazer sua história também marcada por um longo período de depressão imediatamente ao seu momento de maior exposição na mídia após a participação no BBB – processo doloroso que fez muita gente se esquecer do seu excelente “Trava Línguas”, lançado em 2021. “Ela foi e continua sendo um amuleto para mim, reconectando-me com o que há de mais íntimo e sagrado na arte”. A tempestade passou. Bom te ouvir de novo, Linn.
Quem perdeu a maravilhosa turnê de despedida de Gilberto Gil (despedida essa das longas turnês e não dos palcos, diga-se) agora pode curtir os melhores momentos através de um álbum ao vivo que será lançado aos poucos. O Volume 1 contempla diversos palcos da tour – São Paulo, Fortaleza, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Belém. Será que as participações especiais inúmeras durante a tour vão aparecer no álbum ao vivo? Vamos ver.
É curioso. Com a distância entre as gerações aumentando cada dia a mais, cada encontro se torna mais simbólico. Ainda mais para matar o papo de que a música brasileira não vai mais tão bem assim. É bonito ver Ema Stoned (Alê Duarte, Elke Lamers e Theo Charbel) e Edgard Scandura (Ira!) junto sem um instrumental climático prenunciando uma parceria ainda maior – aliás, como revelou Pérola Matias em sua newsletter “Poro Aberto”, Edgard descobriu a banda em uma visita ao clube Porta, mostrando que basta sair de casa para trombar em música nova. Já fizeram show juntos e estão trabalhando em mais outras músicas inéditas.
Karen Jonz resolveu jogar um molho novo em alguma das músicas de seu álbum “Guizmo”, lançado ano passado. Em duas vão rolar feats especiais: um com Fernanda Takai e outro com a banda Mae. A primeira que surgiu é uma versão retrabalhada de “Superficial”, com letra e sons bem diferentes da original, outra música mesmo, praticamente. Trabalho de Karen e do Lucas Romero.
Ê, paixão. É o que indica a nova de Bruno Berle, mais uma pista de “Sem Fronteiras”, futuro álbum do alagoano. “Não Posso Viver Sem Você” é uma declaração de amor acompanhada de camadas de teclados unidos a um bonito quarteto de cordas trabalhando de forma bem minimalista. Um brilho clássico no modelo de inspiração lo-fi tocado pela produção de Bruno e Batata Boy. Para ouvir sentindo o dia perto da Lagoa Mundaú ou do Tâmisa.
11 – Teresa Cristina – “Quando a Onda Passar” (2)
12 – MOMO. – “Morena” (2)
13 – Os Fugitivos – “Perdido no Mesmo Lugar” (2)
14 – Capsula – “Dopamina” (2)
15 – Lô Borges – “Última Parada”/”Chegada” (3)
16 – Triste – “Falta” (3)
17 – Thiago Jamelão – “Apaixonado” (3)
18 – Alice David – “Terra Sem Rei” (3)
19 – Ítallo – “Nina do Avon” (4)
20 – Cidade Dormitório – “Vertigem Neon” (4)
21 – Deafkids – “Parasita” (4)
22 – ULTRALEVE – “Negativo” (4)
23 – João Carvalho – “Serra do Caraça/Itaúnas (Para Milton)” (4)
24 – Lulina – “Outras Vezes (com Ana Frango Elétrico)” (5)
25 – Luedji Luna – “Ela É o Que Há (com Jadsa)” (5)
26 – Michelle Abu – “Talvez Amor” (5)
27 – Papangu – “Taxidermia” (5)
28 – Bebé – “Meu Peito” (5)
29 – Exclusive Os Cabides – “Castelos de Areia” (6)
30 – Mauricio Pereira – “Casamata de Amoreiras” (6)
31 – Tangolo Mangos – “Vou Acordar com Essa Nova Ideia na Cabeça” (7)
32 – Marina Liori – “Água na Boca (com Tori)” (7)
33 – Juçara Marçal e Thais Nicodemo – “Cavaquinho” (8)
34 – Giovani Cidreira – “Música de Trabalho” (8)
35 – Seu Jorge – “River Man (com Beck)” (8)
36 – KUCZYNSKI – “MUSIC 4 A STRIP CLUB” (9)
37 – Zélia Duncan – “Agudo Grave” (9)
38 – Marcelo Cabral – “Grito” (11)
39 – Marabu – “Manda Beijo” (11)
40 – Buhr – “Voaria” (11)
41 – Novíssimo Edgar – “Zum Zum Zum” (12)
42 – Silva – “ROLIDEI” (12)
43 – Febem, Fleezus & CESRV – “M.P.B” (13)
44 – Rael – “Forma Abstrata” (13)
45 – Marina Lima – “Um Dia na Vida (com Ana Frango Elétrico)” (14)
46 – Cidadão Instigado – “Medo do Invisível (com Kiko Dinucci e Jadsa” (14)
47 – Schlop – “Clássicos” (14)
48 – MINTTT – “Liberdade Trade Mark” (14)
49 – Ottopapi – “Meus Podres” (15)
50 – Tiny Bear – “Mathpop” (15)
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* Entre parênteses tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, o rapper Rincon Sapiênca.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.