Top 10 Gringo – Dry Cleaning agora sem segredos. Ecca Vandal escalando. E a chegada chegando da Jill Scott. Semana está quente

Segunda semana do ano só e já temos um disco fortíssimo na praça; o terceiro álbum do Dry Cleaning. A banda pós-punk britânica entregou seu trabalho mais diverso até aqui. Ao mesmo tempo esquisitaço e talvez o mais pop que eles conseguiram. Ainda sobre 2025, sentimos que vai começar a repercutir mais a banda australiana (?!) Ecca Vandal, que nem banda é. No território do singles, um timaço que vai Jill Scott, Arlo Parks, Robyn, Sleaford Mods e alguns outros garantem o futuro do ano.

A nossa banda falastrona favorita aparece de diversas maneiras em seu terceiro álbum, “Secret Love”. Foi preciso um esforço grande da produtora Cate Le Bon em organizar o repertório, encontrar coerência e fazer eles regravarem tudo que já havia sido preparado. Uma das sugestões de Le Bon, inclusive, era fazer Florence Shaw cantar, não só falar. E dá para dizer que rola isso em sons como “Secret Love”. Mas não estávamos preparados para o pop quase cantarolante de “My Soul/Half Pint”, um desabafo de Florence sobre odiar limpar. Ela até gosta de organizar as coisas, mas limpar? Que os homens façam esta tarefa pelo resto da eternidade! 

A coisa está escalando de modo assustador e já envolveu até o Brasil. Parece quem foi ver o último show do ano, do barulhento Limp Bizkit no Allianz, viu meeeesmo a quarta ou quinta atração do dia, em plena luz do dia, a da garota sulafricana/australiana/cingalesa Ecca Vandal, uma rapper que pratica trip hop mas anda se perdendo gostoso numa espécie de atualização de grunge. Alguém definiu que o som da moça parece velho e parece muito novo ao mesmo tempo. Em 2025, ela lançou dois singles, um é este grudento “Molly”, que tem um dos vídeos mais legais de 2025. O disco novo dela, seu segundo mas seu primeiro, sai agora em 2026. De Fred Durst a Dave Grohl, todo mundo tem falado bastante de Ecca Vandal. Próxima parada dela: dois shows no Coachella. Segura!

A veterana cantora, poeta e musa em geral americana Jill Scott é das artistas que só sai de casa quando tem algo a dizer. Basta sacar o refinamento dos singles apresentados aqui, “Beautiful People” e “Pressha”, para o seu primeiro álbum em 11 anos: “To Whom This May Concern”. Aquela coisa, fazer o mais simples e entregar um R&B nota 10 é difícil à beça. Na letra de “Pressha”, o comentário é sobre os homens que se relacionam com mulheres negras e escondem elas do resto do mundo: “Eu não era esteticamente agradável/ Acho que sim, acho que entendi/ Muita pressão para parecer exatamente como eles”. Depois não vem chorar todo arrependido, viu? 

Father John Misty colocou na praça a versão oficial de uma queridinha dos fãs. Conhecida como “God’s Trash” e presente em seus shows desde 2024, “The Old Law” surge como single, sem dar pistas de disco novo. O som é beatlemaníaco a ponto de deixar Noel e Liam em depressão por nunca terem copiado tão bem algo escrito por John Lennon. Father John Misty segue divulgando seu álbum de 2024, ”Mahashmashana”, em uma turnê extensa pelos Estados Unidos e Canadá e depois cruzando na Europa no verão deles. 

“Ambiguous Desire” será o próximo álbum da britânica Arlo Parks. Como o nome antecipa o disco que chega em abril, o foco temático é o desejo. “O desejo é uma força vital, é uma vontade, uma ânsia, um impulso e também é misterioso, complexo, aleatório, esclarecedor e HUMANO”, destaca Arlo. Ela também promete ser o seu trabalho mais dançante até aqui. Entre as principais referências do disco, o LCD Soundsystem e noitadas de Nova York. O single “2SIDED” deixa evidente a mudança sonora. Arlo está mais eletrônica e mais noturna, de fato. Vamos para a pista? 

O mundo se divide fácil entre quem acha o Adam Driver gato e quem acha ele horroroso. A cantora sueca Robyn afirma legal em “Sexistencial” pertencer ao primeiro grupo. Aliás, ela vai um pouco além. Enquanto rima sobre estar atrás de alguém com quem transar, ela conta sobre um papo que teve com a médica responsável por sua fertilização in vitro. “‘Então, Robyn, quem seria o seu doador dos sonhos?’/ Bem, Adam Driver sempre me deixou com tesão”. Sentiu o nível de obssessão dela? Lena Dunham dançando “Dancing on My Own” em “Girls” superconcorda. 

Depois da breve incursão a um pós-punk modernoso, o fera A$AP Rocky investe em um trap mais próximo do seu trabalho usual, neste single que é mais um adiantamento do seu próximo álbum, “Dont’ Be Dumb”, que sai amanhã. O alvo da vez é quem anda atrás de falsa certificação online. O tal selinho azul, que pode ser facilmente comprado, seja no Meta ou X. Nada mais tosco. 

A gente é do tipo que passa 80% do tempo falando sobre David Lynch e os outros 20% torcendo para alguém puxar o assunto. Alexis Taylor fez sua parte e apela a Lynch para explicar seu novo single, este “Out ff Phase”: “Às vezes, temos devaneios repletos de pavor e mente pode ficar cheia, ou sobrecarregada, e o mistério pode ser enganoso – ou até mesmo traiçoeiro. E logo você se encontra em uma ‘Estrada Perdida’”. A estrada perdida é citada literalmente na música. Agora é esperar anoitecer e pegar o carro rumo ao desconhecido. A faixa estará no próximo solo do senhor Hot Chip. “Paris in the Spring” chega em 13 de março.

Os mau-humorados do duo Sleaford Mods não estão menos estressados, mas acho que temos a música mais felizinha da história deles até aqui. Aldous Harding canta todo fofo no refrãozinho: “Agora minha vida está muito melhor, pois me comporto de uma maneira que nunca me comportei antes”. Dá para acreditar? Vamos ver quanta fofura estará disponível no novo álbum deles, “The Demise of Planet X”, previsto também para amanhã. 

Muito triste a notícia da morte de Matthew Kwasniewski-Kelvin, guitarrista da formação original da banda inglesa de indie experimental Black Midi, que nem existe mais. Ele tinha 26 anos. Matthew vinha com problemas de saúde mental faz um tempo e deixou a banda ainda em 2020 para se cuidar. Foi uma luta árdua. Na mensagem deixada pela família do guitarrista, um recado importante: “Reserve um momento para verificar como estão seus entes queridos para que possamos impedir que isso aconteça com nossos jovens”.

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* Na vinheta do Top 10, a banda inglesa Dry Cleaning.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix

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