Top 50 da CENA – Tangolos Mangos deita o dobre no ranking. Ogoin e Linguini chegam sensualizando. E a KUCZYNSKI tira outro 10

Sabe a sensação de que a CENA mais nova do Brasil não é enxergada por quem tá aí há mais tempo? Esta semana reúne provas de que não é bem assim. Bucheca colou com os mineiros Ogoin e Linguini. Zélia Duncan formou amizade de infância com Maria Beraldo. Tá vendo? O diálogo de gerações pode rolar legal para muito além do mero feat. bate pronto tão em voga. 

O segundo álbum da Tangolo Mangos levará o nome de “Pedagios Y Caronas”. Talvez tenha a ver com o momento de vida dos integrantes em constante trânsito. O primeiro single, escrito e cantado por Bruno “Neca” Fechine, é sobre sua mudança de Salvador para São Paulo e “a zona cinza, onde você não se sente mais de um lugar, mas também não é do outro”. Calminha, a canção corre durante uma partida de dominó entre amigos, provavelmente também em seus trânsitos. Entre uma jogada e outra, a vida corre, combinados correm, “pode trazer seu gato, mas cuidado com o cão bravo”. Ao vivo ela já é uma das favoritas dos fãs. Dá para entender a razão. Fica na mente. Vamos mais uma quedinha? 

Os mineirinhos Ogoin e Linguini, presença constante aqui no Top, gostam de desbravar o passado a seu modo. Já fizeram disco dedicado aos antigos seriados de TV americanos exibidos em emissoras abertas por aqui (“TV Show”) e brincaram com o conceito do disco de greatest hits na “Coletânea Good Times”. Em “Sensualiza”, eles vão atrás do funk melody dos anos 1990 e contam com a colaboração de uma testemunha importante da história: Buchecha. Retrô daquele jeito que só é possível em 2026. Uma busca pelos tempos mais simples, sabe? 

A gente tava com saudade da incrível Vivian Kuczynski. Cuidando dos sons de uma galera tão díspare nos bastidores (Jão, Pablo Vittar, Nx Zero, Alice Caymmi), ela reaparece com uma nova identidade: KUCZYNSKI. E é mesmo outra persona artística: menos focada na sua poderosa voz e mais atenta ao seu lado produtora. Inspirado em uma viagem pela Carolina do Sul ao som de Kraftwerk, o EP que também leva apenas seu sobrenome dá margem de como andam os estudos na música eletrônica. Saiba que obviamente ela já está nos módulos avançados. Pode emitir o diploma. Aliás, para quem lembra dos primeiros sons da novinha curitibana Vivian por aqui, deve saber que ela começou com 14 anos na música. Daqui a pouco são dez anos de carreira tendo 20 e poucos anos de idade. Prodígio demais para quem já fez o que fez. E ainda vai fazer demais, parece.

 Zélia Duncan começou sua parceria com Maria Beraldo quando formaram dupla para apresentar ao vivo uma interpretação do álbum “Tom Jobim ao Vivo”. Em seu primeiro disco de inéditas desde 2021, Zélia traz Maria, sua “mais recente amiga de infância”, para a produção. Resultado: Zélia Duncan de um jeito nunca antes visto. A força de sua canção e voz se ganham um esquadro ousado proposto por Beraldo. Escapando um pouco da sonoridade de MPB mais tradicional de seus hits, o foco aqui é dar conta amplidão da voz de Duncan – o grave marcante fica destacada no fundo, dando espaço para percebemos as frequências mais altas. A estética combina com a composição de Zélia e Lucina ao descreverem uma vontade de conter tudo: o dia e a noite, o agudo e o grave, salgado e doce. Ninguém é sempre igual. Ainda bem.  

Sabe quando a personagem de Fernanda Torres avisa “Nós vamos sorrir!” em “Ainda Estou Aqui”. É meio o que o veterano grupo pernambucano Mombojó resolveu fazer em “Solar”. O mundo anda capenga e até a expectativa que gira em torno da banda é de canções mais melancólicas, mas eles vão sorrir. Gravado ao longo de três anos e nas comemorações de 25 anos da banda, a temperatura do trabalho é de festa. Não por acaso, os amigos que participam são muitos: tem Letrux, Laetitia Sadier (do Stereolab), Hervé Salters (do General Elektriks), Sofia Freire, Domenico Lancellotti, Queops Negão. Se a realidade está ruim, abaixo à realidade! 

“Ontem eu comi uma bicicleta, eu vomitei, eu andei nela”. Tá aí um verso capaz de resumir bem o humor peculiar da banda catarinense Exclusive Os Cabides. A track, roqueira, homenagem a “Bike” de Sky Barret, nasceu com João Paulo Pretto, vocalista, guitarrista e compositor da banda, escrevendo a música de improviso no palco, interessado em provocar uns roqueiros ali reunidos com cara de mal. “Eu só queria deixar uns caras meio putos. E consegui”, se diverte. Rapidinha, a canção antecipa um EP novo previsto para maio. 

Dá para dizer que nós aqui no Top 50 vimos de perto a transformação da Fresno segundo antes da pandemia, quando em mais uma virada sonora a banda se aproximou de uma sonoridade mais indie, papos mais adultos e fortaleceu ainda mais os laços com os fãs que não abandonam a banda nas boas e nas más. O novo fôlego fez eles apostarem em estratégias ousadas: lançar o novo disco apenas para fãs com ingressos para o show de lançamento no enorme Espaço Unimed. A ousadia deu certo, a turma chegou com as inéditas na ponta da língua. Apesar de levar o nome “Carta de Adeus”, a banda não está se despedindo neste álbum, mas está trocando de pele de novo. É assim que eles se mantêm vivos.  

O mineiro João Carvalho, após aventuras com os projetos Sentidor, Rio Sem Nome e a banda El Toro Fuerte, chamou os amigos Bernardo Bauer e Felipe D’Angelo, outros dois mineiros de tantos projetos (Moons, Desastros, Sítio Rosa), para produzir seu primeiro disco solo. No primeiro single, João busca em um poema do argentino Roberto Juarroz (“no centro da festa está o vazio/ mas no centro do vazio há outra festa”) as camadas para seu texto aberto – pode estar falando de relacionamentos ou de busca espiritual. As boas vibrações da música são completadas pela voz suave de Clara Bicho, outra mineira, para fechar o esquema de formação de quadrilha. Ô povo que sabe se juntar para fazer umas belezuras. 

Renan Benini, baixista da querida Lupe de Lupe, resolveu remexer nos seus arquivos de uma vida para recuperar composições antigas em sua estreia solo. “Valsas de um Bolero” é uma letra adolescente, a gravação é do Renan de hoje. “Foram 21 anos entre a escrita e o lançamento, e agora é o momento em que foi possível criar um conjunto onde a música coube esteticamente”, escreve Renan. O baú tem músicas escritas entre seus 13 e 21 anos e até o fim de maio teremos acesso a tudo.  

As experimentações do mineiro FBC para além do rap sempre são interessantes: do miami bass (“Baile”) ao disco/soul (“O Amor, O Perdão e a Tecnologia Irão nos Levar para Outro Planeta”). Nessa experiência roqueira, uma paulada nos fãs do Bolsonaro, ficou faltando talvez um tiquinho daquele molho exclusivo que só ele pode dar. O som é bem Planet Hemp ou Rage Against the Machine, digamos. Dá para ir mais longe nesse rock.

11 – Marcelo Cabral – “Grito” (2)
12 – Anitta – “Bemba (com Luedji Luna)” (2)
13 – Marabu – “Manda Beijo” (2)
14 – Juliana Linhares – “Depois do Breu” (2)
15 – Buhr – “Voaria” (2)
16 – Novíssimo Edgar – “Zum Zum Zum” (3)
17 – Silva – “ROLIDEI” (3)
18 – Tuyo – “Solamento” (3)
19 – Febem, Fleezus & CESRV – “M.P.B” (4)
20 – Rael – “Forma Abstrata” (4)
21 – Jovem Dionísio – “Nada Mais” (4)  
22 – Vandal – “AH VERDADEH DAH CIDADEH” (4)
23 – Marina Lima – “Um Dia na Vida (com Ana Frango Elétrico)” (5)
24 – Cidadão Instigado – “Medo do Invisível (com Kiko Dinucci e Jadsa” (5)  
25 – Schlop – “Clássicos” (5)
26 – MINTTT – “Liberdade Trade Mark” (5)
27 – Ottopapi – “Meus Podres” (6)
28 – Ítallo França – “Tire uma Hora pra Lembrar de Mim” (6)
29 – Tiny Bear – “Mathpop” (6)
30 – Alice Caymmi – “Modinha para Gabriela” (6)
31 – Gabriel Leone – “Minhas Lágrimas” (7)
32 – Getúlio Abelha – “Zé Pinguelo” (7)
33 – Chococorn and the Sugarcanes – “Mais Gentil” (7)
34 – Jonnata Doll e os Garotos Solventes & YMA – “Calçadas” (7)
35– Thalin – “Vagando” com Nina Maia (8)
36 – Giovani Cidreira – “Denga” (8)
37 – Dany Roland e Pedro Sá – “Tudo Nada” (8)
38 – Pedro Lanches – “Vergonha” (8)
39 – Antropoceno – “Ayaba Oxum” (9)
40 – VHOOR – “Me Faz um Favor” (9)
41 – Romulo Fróes – “A Vida Que Já Era” (10)
42 – Julieta Social – “Cê La Vie” (10)
43 – Marcelo Callado – “Casca” (10)
44 – Lucas Santtana – “Liga (com Cocanha)” (11)
45 – Liniker – “Charme” (12)
46 – Vitor Araújo e a Metropole Orkest – “Toque N.3” (13)
47 – Isma – “Made In Cohab” com Tasha & Tracie, Carlos do Complexo e CARLO (13)
48 – Larissa Luz – “Marchona” (13)
49 – Borges – “Vença (com Emicida e Ajax)” (13)
50 – Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago – “E Se Livros Fossem Líquidos_ (Poeta Fora da Lei Pt II)” (14)  

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