Top 50 da CENA – E se Criolo, Amaro e Dino fossem líquidos? E se o Lan lançasse um álbum dele? E se desse tudo certo para o Supervão?

2026 segue lento pelos cantos brasileiros. Mas tem novidade, sim. Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago chegam em trio, Lan assume o protagonismo em estreia solo e o Supervão dá um novo grau em seu disco nostálgico-futurista. Só vem!

Ainda que seja um disco em trio criativo, “Criolo, Amaro e Dino” em uma primeira audição deixa a gente pensando muito em Criolo. Após o dolorido “Sobre Viver”, lançado em 2022 refletindo a pandemia e suas dores, a fama e uma profunda depressão, este novo trabalho parece um reencontro de Criolo com um bem-estar imaginativo. Entram as cores, as possibilidades e encontro com dois ídolos contemporâneos seus: Amaro e Dino. É como abrir um sorriso vendo o sol chegar depois de muitos dias nublados.  

Com um carreira de 15 anos, o maceioense Lan é produtor requisitado e premiado. Ele é uma das mentes por trás de “Um Mar pra Cada Um”, de Luedji Luna, por exemplo. Em lenta construção, montou seu primeiro álbum solo, oferecendo músicas para os amigos colarem na voz: Bebé, JOCA, Marissol Mwaba são algumas das estrelas em “Estelar”. A gente sabe que ele demorou a soltar o trabalho porque o JOCA fala sobre 2024 em “Tão Bom Lembrar”, hehehe. Tudo bem. A hora certa é o agora. 

“Amores e Vícios da Geração Nostalgia”, discaço da Supervão lançado em 2024, segue rendendo frutos. Depois de um EP ao vivo, a novidade é uma versão deluxe com três inéditas: a demo de “Yolo”, “Nostalgia” com Ottopapi e um belo encontro de gerações indies com Carlinhos Carneiro em ““Tudo Certo pra Dar Errado”. A pergunta lançada no ar é: e o próximo? A banda toca daqui uns dias no Bar Alto, boa chance de perguntar sobre isso. Vamos?  

Enquanto soltava em seu Facebook análises precisas sobre a crueldade e estupidez da indústria fonográfica brasileira, Guilherme Arantes escreveu e produziu entre Brasil e Espanha um novo álbum. Após fases mais roqueiras e progressivas, a ideia de “Interdimensional” é voltar a uma sonoridade pop brasileira, marca de um dos períodos de maior sucesso de Guilherme, em especial nos anos 1980. Pop e profundo, como deve ser. A interdimensionalidade no título é sobre a capacidade de uma canção levar a gente para mundos paralelos. Talvez o único erro de Guilherme seja na avaliação dada recentemente em entrevistas que sua música está por ser descoberta. Olha, a nova geração mais ligada em som já sabe bem sobre seus feitos e te admira, viu? 

O baladesejável Zé Ibarra levou o acelerado rock de Sophia Chablau para uma vibe mais lenta e MPB. Agora é o lendário Marky que aperta o pé no acelerador tudo de novo em um remix drum & bass de “Segredo”. Destacando na releitura os versos, coros e cordas da gravação de Zé, Marky some como o refrão como quem guarda um segredo. Quer saber?

Baixista de primeira linha da música brasileira, Cabral aparece tocando guitarra e em voz neste single do seu próximo álbum solo. E que voz! E que guitarra! Na real, a guitarra era seu instrumento de origem e é de chapar sua abordagem para lá de original com as seis cordas. Com letra do parceiro Clima e gravação em fita, “O Herói Vai Cair” é Cabral olhando para o pós-punk dos seus tempos de skate. Um tiquinho de melancolia ao ver o herói caído ao lados de imortais também caídos. Ninguém escapa, não é mesmo? Ao seu lado, a voz cristalina e bela de Sophia Chablau e a bateria de Biel Basile reeditam parte do time responsável por “Handycam”, de Chablau e Felipe Vaqueiro. Olha, é o tipo de música que no nosso programa de rádio tocaria duas vezes seguidas, pique John Peel e “Teenage Kicks”.

Maria Bethânia sempre sabe a hora e a vez de mandar o papo certo. Presente em sua turnê de 60 anos de carreira, este samba de Xande de Pilares e Paulo César Feital faz uma releitura da potência histórica do Brasil. Um Brasil por vezes apagado nos livros – forte, sincrético e exemplar único. Sendo o país o eu-lírico da canção, o recado na voz de Bethânia é direito: “O meu próprio povo me conduz/ Tem que respeitar/ Chefe de outra pátria não induz quem vai me guiar”.

Em uma junção de tamborzão e System of a Down, o talentosíssimo Thalin, que você conhece da turma do projeto Maria Esmeralda, fez essa ode ao craque egípcio goleador do Liverpool, Mohamed Salah. Boa para meter uma coreô após um dos golaços de sempre dele. Fica com o troféu de solinho de guitarra do ano até aqui, hein? 

“Baliza” é uma favorita dos fãs da banda formada por Letrux e Lucas Vasconcellos. Ela era a inédita no EP “Couves”, um disquinho que você achava no 4shared ali por 2010 com versões para músicas do Raça Negra, Só Pra Contrariar, Sade e Des’Ree. Escapando de qualquer treta com direitos autorais, o material circula até hoje no YouTube, mas faltava “Baliza” nos streamings oficialmente. Cerca de 15 anos depois, com direito aos vocais regravados por Letrux ano passado, a faixa pinta para ser redescoberta. 

Ironizando o disco de covers do Guns N’ Roses, o Ratos de Porão lançou em 1995 seu “Feijoada Acidente?”. Duplo, um dos álbuns homenageando músicas brasileiras e outro cuidava das versões de gringos. Sumidos do streaming, a versão “Brasil” reapareceu finalmente como parte de um esforço de organizar a discografia digital do grupo. Agora podemos ouvir repetidas vezes a impagável “Nós Somos a Turma”, um hit de colegial que João Gordo e Jão assinam, mas confessam ser uma musiquinha que circulava entre os punks das antigas.  

11– Luiza Sonza – “Nós e o Mar” (1)
12 – Janine- “Dorotá ( p.0, p.1, p.2, p.3, p.4)” (3)
13 – Marina Sena – “Saí para Ver o Mar” (com Rachel Reis) (3)
14 – Tuxe – “Nada a Pulso” (3) 
15 – Parteum – “10, Talvez 9” (3)
16 – Don L – “Iminência Parda” (3)
17 – Emicida – “Quanto Vale o Show Memo?” (3)
18 – Lia de Itamaracá e Daúde – “Bordado” (3)
19 – Tori – “Ilha Úmida” (3)
20  – Mateus Aleluia – “No Amor Não Mando” (3)
21 – Jadsa – “Big Bang”  (3)
22 – Cajupitanga e Arthus Fochi – “Flamengo”  (3)
23 – Joca – “BADU & 3000” (com Ebony)  (3)
24 – Chico César – “Breu”  (3)
25 – Clara Bicho – “Meu Quarto”  (3)
26 – Nigéria Futebol Clube – “Preto Mídia”  (3)
27 – BK – “Só Quero Ver” (3) 
28 – Vera Fischer Era Clubber – “Lololove U”  (3)
29 – Zé Ibarra – “Segredo”  (3)
30 – Lupe de Lupe – “Vermelho (Seus Olhos Brilhanto Violentamente Sob os Meus)”  (3)
31 – Marabu – “Rubato”  (3)
32 – Joca – “BADU & 3000” (com Ebony)  (3)
33 – Mateus Fazeno Rock – “O Braseiro e as Estrelas”  (3)
34 – Valentim Frateschi – “Mau Contato”  (3)
35 – Eliminadorzinho – “Você Me Deixa Coisado”  (3)
36 – Douglas Germano – “Tudo É Samba”  (3)
37 – Oruã – “Casual”  (3)
38 – PUSHER174 – “Eu Sou do Contra”  (3)
39 – Sophia Chablau & Felipe Vaqueiro – “Cinema Total”  (3)
40 – Teago Oliveira – “Desencontros, Despedidas”  (3)
41 – Dadá Joãozinho – “As Coisas”  (3)
42 – ÀIYÉ e Juan De Vitrola – “De Nuevo Saudade”  (3)
43 – Gabriel Ventura – “Fogos”  (3)
44 – Nyron Higor – “São Só Palavras”  (3)
45 – Ottopapi – “Ruim da Cuca”  (3)
46 – Pelados – “Modric”  (3)
47 – YMA – “Rita”  (3)
48 – Janine Mathias – “Deixa pra Lá”  (3)
49 – João Parahyba – “Forró World”  (3)
50 – Rachel Reis – “Coisa Rara”  (3)

***
* Entre parênteses, agora, tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, o trio Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro Vinícius Felix.

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