Top 10 Gringo – A Copa chegou no Top. Com os “rivais” Boards of Canada e Belle & Sebastian. E ainda tem o Paul!

Acredite ou não, nesta semana conseguimos emplacar no Top 10 nossas “polêmicas” opiniões sobre a seleção brasileira. Ah, sim, também falamos de filmes e do quanto gostamos do novo do Paul McCartney. Mas que a Escócia vai ter nossa torcida neste ano, isso vai. 

“As palavras se tornam matéria” é uma tradução possível para o título desse som do Boards of Canada, cultuaaaada banda escocesa apesar do nome. Não por acaso, esta aqui é a faixa que encerra “Backrooms”, misterioso filme de terror do momento, onde das muitas leituras possíveis vemos memórias se tornarem um tortuoso labirinto. É um casamento perfeito: Boards of Canada e suas contínua investigação dos passados perdidos com um filme sinuoso criado a partir de um meme da internet. Ansiosos do mundo, uni-vos. 

Conhecemos bem Paul McCartney. Ouvimos todos os discos, lemos os livros e vimos os filmes. Quando ele resolve contar suas memórias do passado é como andar por ruas bem conhecidas já. Ao passar pelas primeiras memórias da vida, de sons e amores e de amigos, alguns conhecidos nossos, John, George, Ringo, o recém-lançado álbum “The Boys of Dungeon Lane” soa familiar, embora mais íntimo do que nunca. Paul repassando a vida enquanto tenta pela milésima vez fazer um pop perfeito. No farto material solo tardio de McCartney, o novo disco não parece ter joias como “Calico Skies”, “Great Day”, “Too Much Rain” ou “Dance Tonight”, mas funciona bonito como uma história com começo, meio e fim. Álbum conceitual é com ele, né? 

Na hora em que a Escócia abrir o placar contra o Brasil de Neymar e companhia lembre-se de que pelo menos Stuart Murdoch e sua galera estarão felizes cantando o hino escrito por eles para esta Copa do Mundo. “It Only Takes One Lion” não é a música mais cantarolável em um estádio, mas é melhor que qualquer coisa feita pelo Movimento Verde Amarelo. “We’ve got another samba with Brazil” cita o azar (ou sorte) de enfrentar o Brasil de novo. Já são quatro confrontos em Copas e nenhuma vitória dos escoceses. 

Muito antes de a gente trabalhar por aqui com o conceito de indie mental-health, o Death Cab for Cutie sonhava com dias mais leves em “Soul Meets Body”. Vinte anos depois as questões não são muito diferentes, pelo que indica o single “Stone Over Water”. “Mas estou tentando me manter firme, estou tentando dormir a noite toda”, canta Ben Gibbard no refrão de uma canção sobre a árdua luta contra a depressão e ansiedade, um desejo por se sentir bem no aqui e agora. “Sejam gentis com vocês mesmo”, desejou a banda em seus Instagram. “I Built You a Tower”, novo álbum da banda, será lançado nesta sexta-feira aqui. 

Por falar em homens que lidaram com depressão, temos Greg Dulli refletindo sobre o quanto na busca por paz transformou o trabalho em competição com os outros e consigo. O tempo parece ter ensinado a ele também que o segredo é calma, alguma leveza. É o que veremos em “Soft Control”, décimo álbum da banda anunciado para agosto. Esta “Jungle Roux” é o single mais recente. Quem não se apaixona por essa rouquidão toda, né?  

Liderada pela cantora nigeriana Eno Williams, o Ibibio Sound Machine, que sempre indicamos por aqui, chega ao terceiro álbum: “Chopping Mountain”. No que mostra o single “Concept of Love”, segue a mistura esperta de música instrumental com recursos da música eletrônica. Desta vez menos disco e talvez mais house, digamos. Uma faixa delícia para dançar na pista ou em casa e uma letra de filosofia beatle: no fim, o amor que recebemos é igual ao que criamos. 

No mês do orgulho, Meg Stalter, a Kayla Schaefer da série “Hacks” conta o quanto ama os gays em uma música com potencial de virar hino. Também é uma forma de garantir que seu personagem divertidíssimo no seriado da HBO não vai morrer tão cedo. Exagerada e engraçada como quase tudo que a comediante faz, a faixa deve ser parte de um futuro álbum chamado “Crave”, dando start em uma carreira musical. Pelo visto, será meio um equivalente a “Todo Mundo em Pânico” do mundo pop. 

Ih, rapaz, olha o Weezer. Banda voltou a pesar a mão. Pelo menos é o que indica “We Might as Well Be Strangers”, novo single de mais um álbum que levará o nome da banda e o apelido da cor da capa – desta vez será o “Gold Album”, anunciado para agosto. Para conectar com as novas gerações eles se unem aqui ao Wednesday, grupo que revelou ao mundo MJ Lenderman. Aliás, como vocês traduziram Wednesday: Quarta-feira ou Wandinha? 

Vale pensar em Nick Hornby aqui: música ou tristeza, quem veio primeiro? Ian Sweet nomeia uma canção com seu nome real, Jilian Medford, para pedir que ela mesma acorde e saia desse personagem triste inventado por ela. “Que mundinho cruel esse em que você vive”, ironiza, no refrão autodirecionado. Jillian sabe bem do que está falando. Encarou uma depressão já exposta em seu álbum anterior, “Show Me How Your Disappear” e entende que movimento é uma forma de melhorar. Naquelas, uma musiquinha triste para espantar a tristeza e andar um pouquinho sob o sol. “Shiverstruck”, novo álbum da Ian, está previsto para o mês que vem. 

Precisa mesmo descrever o som de uma pessoa cujo álbum de estreia chama “5 da manhã e Eu Não Consigo Dormir”? Guitarras atmosféricas levam o bedroom pop de kelz para milhares de insones. Em seu próximo álbum, “A Sewwty Passerby”, novamente temos a fórmula das canções melancólicas capazes de espantar dores da alma. Lidando com o luto, kelz escreve para não se prender na nostalgia. 

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* Na vinheta do Top 10, ela, a banda Boards of Canada.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix

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