Lá vem o Oasis… Promotora de turnês da banda dos Gallagher obtém licenças para repetir os maiores shows da história da Inglaterra em 2027
POSTADO DIA 06/08/2026



Quando você pega um disco em que um das primeiras canções se chama “Desde Que Eu Morri”, cujas palavras saem da boca de Jair Naves, embalada por um pós-punk vigoroso e maravilhoso desses que a Inglaterra não faz mais, você entende que só pode estar diante de uma música do Ludovic.
Desde que o Ludovic morreu para os estúdios, em 2006, no segundo álbum que também traz a morte no nome, “Idioma Morto”, Jair Naves virou nos palcos da música independente brasileira um raro exemplo de frontman que quase que literalmente morria nos palcos, como se todo show da banda fosse o último. Com um desespero dramático envolvente graças a suas letras tão angustiadas quanto potentes, Naves é daquela estirpe que canta com a veia do pescoço saltada o tempo todo, daquelas de ser vista de longe na plateia.
E foi assim por mais um tempo durante os anos 2000 e agora, em alguns poucos shows revival em tempos mais próximos. Até que chegou na última sexta-feira o novo e homônimo disco do Ludovic, um lançamento da Balaclava Records, quebrando um jejum de duas décadas com a urgência pós-punk intacta e o peso confessional característico da banda.

Sabe aquela São Paulo do começo dos anos 2000? Aquela dos inferninhos da Augusta, do underground puríssimo e de shows que pareciam rituais de descarrego? Pois é. O Ludovic era o rei desse ecossistema. Agora, 20 anos depois do clássico “Idioma Morto”, Jair Naves e sua trupe estão oficialmente de volta. E eles não vieram para brincar de nostalgia. O novo trabalho mostra que o hiato só acumulou mais fúria, no que dá para ver no álbum novo.
** As Faixas: Sangue, Suor e Pós-Punk
O disco funciona como uma resposta perfeita ao caos atual. A audição é intensa e mostra uma banda em seu auge criativo, com todos os seus músicos bem melhores do que já eram, duas décadas atrás. Alguns destaques:
** O Veredicto da Popload
Não é um disco fácil, “simples” e que bom por isso. O Ludovic (Jair Naves, vocal, baixo e sintetizadores; Eduardo Praça, guitarra; Zeek Underwood, guitarra e voz; e Rodrigo Montorso, bateria) segue relevante porque recusa fórmulas prontas.
Já que é para estabelecer um diálogo entre seu público mais antigo e os da nova geração que cresceu ter ao alcance uma veia do pescoço saltada de Jair Naves para admirar, e enquanto parte dessa nova geração tenta simular a angústia em dancinhas de TikTok, Jair Naves joga a realidade na cara, com vocais quase falados e poéticos. É rock de garagem com cérebro, alma e muito estômago. Discão. A chama ainda está acesa. E ardendo forte.
Ao vivo então, esse sentimento deve dobrar a experiência. O Ludovic tem dois shows marcados no futuro próximo em São Paulo. A banda toca semana que vem na Rockambole, dentro do festival SPIM, no dia 14 e com abertura do Jovens Ateus. E depois se apresenta no Tokio Marine Hall em setembro, dia 26, integrando o line-up do Balaclava Fest .

***
* A foto do Ludovic usada neste post é de Tauana Sofia.