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POSTADO DIA 05/08/2026



Quando nasce um filho, nasce também uma mãe. Em “Cosmo Dorme”, segundo disco da carioca Raquel Dimantas lançado no último dia 28, essa transformação se espalha por todas as canções. Inspirada pela chegada do primogênito Cosmo, neste álbum Raquel registra em música não apenas o nascimento de seu bebê mas também um novo jeito de olhar para a vida cotidiana.

Sob o selo Coala Records, o álbum parte de uma experiência profundamente pessoal para desenhar sonoramente uma imagem maior: ao longo de oito faixas, Raquel Dimantas encontra beleza nas pequenas coisas — o balanço de um carrinho de neném pelas ruas, um bebê que adormece lentamente, uma conversa boba ao longo do dia, um “Boa noite” que encerra mais um dia comum.
Na tropical “Mira Que Belo Dia”, a artista canta sobre valorizar a beleza de um horizonte que surge ao céu, como quem sabe que não é sempre que nasce um belo dia. “Cosmo Dorme” carrega a sabedoria de entender que o extraordinário está justamente no ordinário.
E essa sensação aparece forte na sonoridade. Produzido pela própria artista ao lado do amigo multitalentos Guilherme Lírio, o disco passeia entre o lo-fi e o hi-fi, misturando guitarras doces, percussões singelas e pequenos detalhes que fazem a música flutuar. Em alguns momentos, “Cosmo Dorme” lembra uma versão mais indie da saudosa Banda do Mar: é leve, ensolarado e atravessado por uma delicadeza açucarada. Tem uma sensação de “casa de vó” e as canções parecem magicamente embaladas pelo movimento das ondas da água.
O melhor exemplo disso tudo talvez seja “Meu Bebê”, primeiro single do álbum. A faixa funciona como um coração do disco: simples e direta, soa como aquelas melodias que surgem espontaneamente quando alguém embala uma criança no colo. É uma declaração de amor de Raquel ao filho Cosmo, mas também um retrato do cuidado como uma experiência universal. Não por acaso, a capa do álbum mostra Raquel amamentando o bebê em meio ao movimento da cidade — imagem que sintetiza bem a proposta da obra: encontrar paz em meio ao caos.

Em vez de transformar a maternidade em um tema grandioso, Raquel Dimantas prefere observá-la pelos detalhes. O próprio Cosmo participa da gravação de “Papinho/Small Talk”, enquanto o álbum inteiro parece acompanhar um ciclo cotidiano: começa com o amanhecer e termina desejando “Boa noite, até amanhã”.
O disco fala bastante sobre amor — especialmente o amor entre mãe e filho —, mas não se limita a isso. O nascimento de Cosmo funciona como ponto de partida para pensar pertencimento, afeto e cuidado. No fim, Raquel parece sugerir que criar um filho também significa reaprender a se olhar e olhar para o mundo com mais curiosidade. A curiosiedade que muitos adultos perdem ao longo da vida, mas que os artistas não podem jamais perder.
Em um momento em que tantas obras parecem buscar impacto imediato, “Cosmo Dorme” aposta em outra escala. É um disco singelo nos gestos, mas grande naquilo que desperta: a lembrança de que ainda existe encanto nas coisas mais simples.
Ouça “Meu bebê”: