
O Kneecap soltou mais uma prévia do próximo disco e, como já virou costume com o trio de Belfast, não veio pouca coisa junto. A nova faixa, “Fenian”, dá nome ao álbum que chega em 1º de maio e aparece como um manifesto em forma de música, como sempre: um acerto de contas com a história, uma afirmação de identidade irlandesa e uma tentativa de ressignificar um termo que por muito tempo foi usado de forma ofensiva.
Originalmente associada aos nacionalistas irlandeses do século 19 e a uma tradição republicana ligada também ao imaginário dos guerreiros da mitologia irlandesa, “Fenian” acabou virando, em muitos contextos, especialmente na Irlanda do Norte, um xingamento sectário dirigido a católicos e nacionalistas.
Na prática, o grupo transforma a palavra em grito de pertencimento, misturando folclore irlandês, republicanismo contemporâneo e um certo senso de resistência de classe trabalhadora que sempre atravessa o que eles fazem.
Ao falar da música, o próprio Kneecap resumiu bem o espírito da coisa ao defini-la como “um hino para abraçar nosso passado fenian e curar nossa ressaca colonial, reconectando os guerreiros do folclore irlandês com os fenians fodidos do Norte da Irlanda de hoje”.
A música chegou acompanhada de um clipe filmado em West Belfast e dirigido por Thomas James, que entrou de cabeça nessa proposta de retomada simbólica. “Para mim, essa faixa é sobre retomada de identidade. Não só da palavra, mas das pessoas também”, disse o diretor. Ele ainda descreveu o vídeo como um redemoinho psicodélico tomado por pessoas e lugares que incorporam o espírito dos caras e da música. “Ver a palavra ‘Fenian’ por uma nova lente. Foi divertido, foi caótico, foi como um sonho febril correndo pela Irlanda e convencendo as pessoas a colocar uma balaclava e fazer alguma maluquice. Todo mundo se divertiu”, completou.
“Fenian” sucede os singles “Liars Tale” e “Smugglers & Scholars”. O disco terá 14 faixas, produção de Dan Carey, nome conhecido por trabalhos com Fontaines D.C. e Black Midi, e ainda participações de Radie Peat, do Lankum, em “Cocaine Hill”, e do rapper palestino Fawzi, baseado na Cisjordânia, em “Palestine”.