O prolífico, genial e barulhento Ty Segall está com as malas prontas para desembarcar em São Paulo pela primeira vez. A façanha, algo histórica, é de responsabilidade da Associação Cultural Cecília, que após trazer as lendárias garotas do Bikini Kill, resolveu dar mais um presente para quem ainda acredita na santíssima trindade da guitarra, baixo e bateria, com uma pitada de loucura musical envolvendo tudo isso.
O aguardado debut do loiro californiano em palcos brasileiros vai rolar na Audio Club, no dia 15 de novembro, domingão. Os portões abrem cedo, a partir das 18h, porque a noite foi montada para ser especial. A escalação para engrossar o caldo conta com shows das intensas bandas paulistas Ema Stoned e Bike, além da discotecagem fina da turma da Supernovissima. É escalação de minifestival gringo, mas na Barra Funda.

Para os não iniciados, Ty Segall é uma espécie de máquina humana de fazer indie rock. Com quase duas décadas de estrada, o cara é multiinstrumentista, compositor, produtor e lança álbuns em uma velocidade que desafia a física. Devia fazer parte do King Gizzard, se os australianos ainda não fossem mais malucos que o californiano.
O som dele é uma maçaroca deliciosa que transita sem pedir licença entre o garage rock mais sujo, o punk de sarjeta e aquela psicodelia sessentista que parece ter saído de uma fita cassete mofada da estante de um ser humano de Los Angeles que acabou de fumar um e quer ouvir um som agitado para balancear as coisas. Segall vem para apresentar o repertório do aguardado novo álbum, “Chrome”, que sai em agosto.
A vinda de Ty é a consolidação perfeita do trabalho impecável que a Associação Cultural Cecília vem fazendo nos bastidores da nossa cena, antes numa casa legal, agora com shows externos legais. E ver o guitarrista ao vivo é sempre uma experiência catártica. Esqueça palcos intocáveis ou firulas pop eletrônicas; o negócio ali é o amplificador no talo, microfonia estourando no peito e aquela urgência de inferninho que a gente gosta.
Os ingressos oficiais já estão disponíveis, bom avisar. Porque depois…
