CENA – Eles já cuidam dos nossos festivais legais, cada um o seu. Só que agora, juntos, resolveram fazer músicas legais também

Pensa em dois caras que basicamente ajudaram a desenhar o mapa do indie brasileiro nas últimas duas décadas. De um lado, Anderson Foca, a mente inquieta por trás do Festival DoSol lá em Natal. Do outro, Fabrício Nobre, o sujeito que colaborou na transformação da Goiânia sertaneja na capital do rock independente com o clássico Festival Bananada. Eles já planejaram turnês, debateram o mercado, beberam todas as cervejas possíveis nos bastidores e escalaram metade das bandas nacionais (e gringas!!!) que você ama. Mas faltava uma coisa.

Os dois têm ou tiveram banda, mas agora é diferente: se trancaram os dois juntos em um estúdio em São Paulo para ver o que acontecia e saíram de lá com um disco dos bons. Aconteceu, então.

Os dois produtores, agora cinquentões, resolveram chutar o balde burocrático de planilhas e editores para montar uma banda de verdade. O projeto se chama Varado. E eles acabam de soltar um EP homônimo, via selo DoSol, que é tudo o que a gente precisava ouvir de quem não se cansa de ver o rock apenas de trás do palco.

A história do disco é bem Popload-style: eles entraram no icônico Estúdio Costella, aqui em São Paulo, e resolveram o trabalho inteiro em menos de dez horas. Sem firula, sem autotune do Julian Casablancas, sem aquela lapidação chata que mata a alma de qualquer canção de garagem. Gravação praticamente ao vivo, crua, urgente e com aquela sujeira linda do punk e do garage rock. A produção ficou com o próprio Foca, mas as mãos sagradas dos bombados Gabriel Zander e Alexandre Capilé também estão ali na ficha técnica, o que já garante o selo de qualidade “barulho de gente grande”.

São cinco faixas que vão direto na jugular de temas como envelhecimento (né?), paranoia digital (nééé?) e as loucuras da sociedade de consumo moderna. Faixas como “Fenda Vil do Tempo” e “Pensamento Linear” dão o tom (e as letras) desse desabafo geracional que, segundo eles mesmos, prova que nunca é tarde para montar uma banda nova e fazer barulho.

É o lado B da indústria jogando na nossa cara que o indie brasileiro ainda respira por puro tesão, se é que alguém ainda não notou isso. O som já está rodando por aí nas plataformas de streaming. E aqui embaixo também. Vai ouvir.

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