Top 10 Gringo – Semana louca no top, com Linda Lindas e Anthrax dividindo a mesma playlist. E fazendo todo o sentido. Ainda mais acompanhados de DIIV, Karol G e Brandon Flowers

Uma semana tão diversa quanto costumam ser nossas semanas. Temos músicas nervosas das Linda Lindas e do Anthrax, o DIIV se rendendo às mãos do glitch rock A.G. Cook e a Karol G colocando a cumbia na ordem do dia. Tem até a nova do Brandon Flowers, imagine! Ninguém sairá ileso deste top.

A jovem banda californiana de meninas The Linda Lindas sempre abordou temas sérios em suas músicas. A primeira delas a repercutir foi “Racist, Sexist Boy”, escrita para um garoto que se afastou da baterista Mila de la Garza por conta de sua origem chinesa. O olhar delas continua afiado. “Blood on Our Hands” arrebenta com a política genocida tocada pelos Estados Unidos citando as prisões locais para imigrantes e as bombas em países estrangeiros. “Não há nada de grandioso ou belo em um Estado fascista”, escrevem. Além de denunciar os responsáveis, a canção também mira aos silentes. “Há porcos com armas em volta do quarteirão, a temperatura está subindo/ Você pode não ser o primeiro a ir, mas todo mundo está morrendo”, elas cobram ao avisar que de pouco adiantará este silêncio culposo da omissão. Além de ser a letra mais forte delas até aqui, o instrumental lento e pesado com vocais gritados redobram o recado. Muito foda! “GOTTA GET OUT”, terceiro álbum delas, sai no dia 28 de agosto.

Sabe quando o fenômeno do Bad Bunny aconteceu e os shows brasileiros caíram em seu auge no nosso colo? Se deu bem quem já estava atento muito antes. O mesmo pode acontecer com a Karol G – que já é uma superstar latina há bastante tempo. Já já seu novo álbum, “NO ME ARREPIENTO DE SENTIR TANTO”, explode. E o show brasileiros já está marcado: 12 de fevereiro na Mercado Livre Arena Pacaembu. O disco tende a acontecer porque é muito bom. Na primeira audição, piramos na colaboração dela com a francesa Oklou na delicada “Final Feliz” e também na incrível cumbia tejana “Alguien Que Te amaba”, esta em destaque aqui, que tem a caneta de Pedro Astudillo, parte da maior referência do gênero, Selena y Los Dinos. Coisa séria.

Zachary Cole Smith, vocalista e guitarrista do DIIV, está na já longuíssima lista de vítimas dos efeitos da crise climática. Quando Los Angeles pegou fogo, sua casa foi uma das que virou carvão. Foi um jeito terrível de ver ao vivo a decadência do capitalismo denunciada pela banda no álbum “Frog in Boiling Water”. Enquanto reconstrói a vida e produz seu quinto álbum, ele e sua banda se vestem de corretores da bolsa para propagar um novo gênero: New Alternative. A ideia é roubar o “no alternative” da política britânica Margaret Thatcher nos anos 80 e imaginar algo para além do fim do mundo via capitalismo. Artisticamente, isso envolve produzir o novo trabalho, “Zirp!” com A.G. Cook – o melhor amigo da Charli XCX. Já no campo das ideias práticas, um dos sonhos é um streaming público de música para minar o Spotify e outras big techs que dominam a circulação de música hoje. Não faz todo o sentido? Hoje o Brasil tem ideias como a biblioteca virtual do MEC e o Tela Brasil. Seria ótimo uma Música Brasil – grátis e que pagasse decentemente os artistas. Alternativa sempre tem.

Apesar de o nome “Alien Metal” sugerir que estamos diante de mais um disco de metal espadinha dos australianos do King Gizzard & The Lizard Wizard, na real o novo álbum da banda, seu 28° disco, será na pegada eletrônica do grupo. A piração atual deles é trabalhar com sintetizadores modulares. Impressionante como eles conseguem se apropriar com habilidade de qualquer gênero musical. E, não estranhe, eles não estão mais no Spotify!

Se existe o Pulp, por que não existir também o Slow Pulp. Mas o quarteto de Chicago guarda poucas semelhanças com a trupe de Jarvis Cocker. Ainda assim, ótimo material. “Melodie” é o terceiro álbum deles, de onde tiramos essa boa “Spill”. O disco tem produção de Elliot Kozel, um carinha de trajetória punk, mas que hoje já pode ser encontrado em créditos de produções tão diferentes quanto Rosalía ou Yves Tumor.

Já falamos de incêndios nesta edição do top. Coincidência uma árvore em chamas aparecer na capa de “Gentling the Horse at the Walt Whitman Mall”, o próximo disco da norte-americana Caroline Rose, que também resolvemos destacar nesta semana. A imagem da natureza se revoltando cercada por mercados, shoppings e drive-thrus parece dar conta da angústia de Caroline em um indie rock que insiste em dizer que “Tudo vai bem”. Não parece, não.

Qual a diferença entre o Brandon Flowers solo e o Brandon Flowers do Killers? Difícil dizer. Porque o desejo de ambos de ser um Bruce Springsteen modernoso é meio que o mesmo nas duas facetas. Basta dar um play no single “Tiger’s Blood” para entender. Está tudo lá: na voz, no arranjo ou até nos maneirismos líricos ao falar de um tal “runaway train”. Tudo feito em Nashville com o maior cuidado. “Trasher” sai no dia 21 de agosto.

Quer seguir por essa estrada no meio do deserto norte-americano dirigindo sua caminhonete rumo ao próximo bar? Vá na companhia da Jess Williamson, que deseja o mesmo em “Tracking the Tropics”, um country suave presente no seu próximo álbum, “A Mile South of Heaven”. Quase uma Taylor Swift do velho testamento. Brincadeira…

Ano passado, falamos por aqui do folk despretensioso da cantora americana de folk Lily Seabird. Tínhamos ficados apaixonados pela sua gaitinha na boa “Trash Mountain”, canção dividida em dois períodos, uma solar (1pm) e outra noturna (1am). Agora, como todo bom exemplar do gênero em que ela habita, ela vai ao elétrico em seu próximo disco, “Lightspheres on Their Way”. Continua tudo meio maravilhoso e meio estranho, meio fora do lugar.

“Everybody’s Got a Plan” não é só o Anthrax, um dos gigantes do thrash metal, soando muito bem para “Cursum Perficio”, seu décimo segundo álbum na carreira. É a banda se aproveitando de uma frase atribuída a Mike Tyson para rasgar o verbo: “Todos têm um plano até tomarem um soco na cara”. Tyson teria dito algo parecido com isso, não exatamente. Fica a intenção.




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* Na vinheta do Top 10, a banda americana The Linda Lindas.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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