CENA – Entre correntezas e cantos de sereia, a mineira Gabriela Ozório navega bonito na nova MPB com o EP de estreia
POSTADO DIA 04/08/2026
Como headliner da sexta-feira, dividindo o topo do line-up com o retorno quase simbólico do Smashing Pumpkins à cidade onde a banda nasceu, nossa musa pop Charli XCX transformou o segundo dia do Lollapalooza Chicago no primeiro grande teste ao vivo de “Music, Fashion, Film”.
O álbum saiu literalmente na semana anterior e mal deu tempo para o público decorar as letras antes de uma superexposição num superfestival. E, ainda assim, uma parte considerável da multidão já gritava os versos de “Card Declined” como se a música estivesse circulando há meses.

A abertura veio, sem surpresa, com “Rock Music”, seguida de “Yeah”. O palco não tinha uma gota de cor: estruturas pretas lembrando caixotes industriais empilhados, iluminação dura e sombras profundas.
Em alguns momentos, pirotecnia, e ao centro uma passarela com modelos desfilando com camisetas brancas e jeans, desenhando o pilar “fashion” da nova era. Menos festival de verão, mais galpão abandonado conceitual. Tudo parecia pensado para que nada competisse com a música.
A mudança também aparecia na própria Charli.
A pose de it-girl continua ali mas falando pouco entre as faixas, atravessando a passarela com uma postura muito mais próxima da vocalista de uma banda de rock do que da rainha das pistas de dança.
“Von Dutch” e “Guess”, os pedaços ainda quentes do universo “Brat” continuam enormes, mas soam quase deslocados de propósito quando aparecem cercadas por um repertório mais seco, guitarrístico e melancólico. Já “Girl, So Confusing” havia ganhado sua apresentação definitiva na noite anterior, com Lorde ao seu lado (ou no caso ela ao lado da Lorde), tudo em carne, osso e química.
O encerramento, claro, precisava ser cinema. “No One Lasts Forever” terminou com Charli e seus dançarinos completamente imóveis, presos na mesma pose, como um retrato congelado no tempo. Ao fundo, a voz gravada de David Cronenberg repetia seu mantra sobre a inevitabilidade da extinção enquanto, no telão, surgia a frase: “Oblivion is freedom”, o mantra que também tinha começado o show.
Sim, fez-se o looping dos novos tempos. E o show de 23 músicas poderia ter começado tudo de novo que faria todo o sentido.