Feliz segunda. O show completo e silencioso do The xx, que encerrou o Lollapalooza Chicago na última madrugada

Há literalmente poucas horas, o The xx encerrou o Lollapalooza Chicago 2026 do jeito The xx de ser: sem explosão, sem excessos e “só” com aquele minimalismo sentimental que, em algum momento entre o fim dos anos 2000 e o auge do Tumblr, virou uma língua própria para uma geração inteira.

No domingo à noite, o festival colocou o público diante de uma escolha bem clara: de um lado, o pop grandioso e viciante da cada vez maior Tate McRae; do outro, o som econômico, sonhador e noturno de Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie xx. Para muita gente, a decisão nem pareceu tão difícil assim.

O trio britânico chegou como um dos últimos headliners da edição de 2026, em um retorno ao vivo que ainda carrega gosto de reencontro. Formado em 2005, o The xx lançou seu álbum de estreia em 2009 e rapidamente deixou de ser apenas uma promessa indie para virar uma espécie de trilha emocional da virada daquela década. “xx” foi celebrado pela crítica, abraçado pelo público alternativo e multiplicado infinitamente por posts, playlists, vídeos e imagens em preto e branco na internet pré-TikTok.

Desde então, a banda manteve uma discografia curta e um silêncio longo. Vieram apenas mais dois álbuns, com “I See You” sendo o mais recente, em 2017. Depois, Romy, Oliver e Jamie seguiram caminhos solo, enquanto o The xx passava anos fora da estrada. A reunião começou a ganhar forma em fevereiro, com um show na Cidade do México, passou pelo Brasil, e encontrou em Chicago um de seus momentos mais simbólicos até agora.

O set de 75 minutos foi mais contemplativo do que triunfalista. Começou com “Crystalised”, entre batida seca, guitarra circular e aquele diálogo vocal que sempre fez o The xx parecer uma conversa íntima amplificada para multidões. A partir dali, o trio construiu uma apresentação good vibes, não de impacto imediato.

Ao contrário do peso físico que o Turnstile havia levado ao mesmo palco algumas horas antes, o The xx parecia pedir pouco do público além de presença. Muita gente assistiu deitada na grama, outras pessoas balançavam devagar, casais se abraçavam, celulares subiam em momentos específicos e o ar geral era menos de final apoteótico de festival e mais de memória coletiva sendo revisitada ao vivo.

O repertório percorreu momentos essenciais da banda, como “Islands”, “Angels”, “Night Time”, “Sunset”, “Fiction”, “Infinity”, “VCR”, “On Hold” e “I Dare You”, mas também abriu espaço para as trajetórias individuais dos integrantes. Jamie xx apareceu com trechos de “I’ll Take Care of U”, “Wanna” e “Treat Each Other Right”. Romy entrou com “Enjoy Your Life”. Oliver Sim surgiu com “GMT”, em remix de Jamie xx, conectado ainda a uma passagem de “On Hold”.

No fim, veio “Intro”. Uma das músicas mais famosinhas da banda, com mais de 800 milhões de reproduções no Spotify (por exemplo), fechou não apenas o show, mas também o Lollapalooza Chicago 2026. É curioso que uma música instrumental de pouco mais de dois minutos tenha virado esse tipo de monumento indie. 

Quando “Intro” terminou, terminou também o festival. Sem fogos emocionais demais. Sem discurso grandioso. Apenas o The xx encerrando quatro dias de Lollapalooza com uma elegância silenciosa, quase agridoce, como se a noite de Chicago tivesse sido feita para desaparecer devagar.

Especialidade deles.

A boa notícia é que esse show completinho, não se sabe até quando, está disponível abaixo.

SETLIST
“Crystalised”
“Say Something Loving”
“Islands”
“Angels”
“Night Time”
“Sunset”
“Fiction”
“I’ll Take Care of U”
“Shelter”
“Infinity”
“VCR”
“Loud Places”
“Enjoy Your Life”
“Wanna”
“Treat Each Other Right”
“GMT”
“On Hold”
“I Dare You”
“Intro”

*** As fotos do post são de Sam Rink, do The Daily Illini.

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