Pesado, tenso. A volta do Fontaines D.C. ao vivo na Espanha. Mostrando logo duas músicas novas

A banda irlandesa Fontaines D.C. está completamente de volta. No último final de semana, a nossa brava gangue musical-literária de Dublin quebrou um hiato de praticamente um ano longe dos palcos principais com duas apresentações pesadíssimas e cheias de significado no intimista Baluarte de la Candelaria, em Cádiz, na ensolarada e algo queimada Espanha.

E, se você achava que os caras iam apenas tirar a poeira dos instrumentos e tocar o repertório consagrado do aclamado “Romance”, de 2024, errou feio. Grian Chatten e seus brothers já fizeram o convite de uma nova era deles, testando músicas inéditas na cara de um público espanhol sortudo e completamente incrédulo. No caso, duas novas.

Os dois shows foram marcados por uma atmosfera carregada de emoção, sendo a primeira aparição da banda desde a dolorosa perda de seu histórico empresário e “sexto membro”, Trevor Dietz, que morreu em junho. Mas o luto virou catarse rock.

A primeira grande surpresa veio logo no começo da apresentação, na quarta música, com “Marianne”, uma faixa inédita trabalhada em cima de uma pegada mais industrial, sombria e ruidosa, que já mostra um Fontaines D.C. flertando de forma muito bonita com caminhos pós-punk que lembram um Depeche Mode mais denso. Grian continuava lá, com sua típica e magnética postura inquieta, cuspindo as letras como se sua vida dependesse disso.

Não satisfeitos em entregar apenas uma novidade, os irlandeses usaram o início do bis para cravar mais uma inédita: “Six Shot Morning”. Esta segunda música nova foca intensamente em sintetizadores espaciais e melancólicos, desenhando uma sonoridade grandiosa e envolvente que cresce absurdamente ao vivo. Segundo os relatos de quem estava grudado na grade na Andaluzia, a recepção foi instantânea. A banda manteve aquela velha máxima indie de testar faixas cruas na estrada, direto com a plateia.

Para além do frescor do material inédito, o grupo aproveitou a dobradinha em Cádiz para bagunçar o setlist e revisitar pérolas esquecidas. Enquanto na primeira noite abriram de forma explosiva com o hino “Boys in the Better Land”, no segundo show mudaram o jogo começando com “Here’s the Thing” e resgatando a belíssima “Roy’s Tune”, do álbum de estreia “Dogrel”, que não era tocada há tempos. O encerramento, claro, ficou por conta do petardo “Starburster”, provando que o Fontaines D.C. hoje joga em um campeonato completamente à parte no rock mundial.

Ficamos daqui esperando mais detalhes do quinto álbum, enquanto a banda irlandesa segue fazendo shows na Espanha. Ontem foi em Alicante. Amanhã, será em Pamplona.

O Fontaines D.C. segue entregando músicas boas. Só está nos devendo algo, aqui no Brasil.

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