CENA VIVA – Sara Não Tem Nome leva fantasmas, cachorros e amigos para temporada no Centro da Terra (SP)
POSTADO DIA 10/08/2026

Tem tantas camadas esta história que não sabemos nem por onde começar. Mas o assunto pop deste final de semana, o real “Barbenheimer” do rock (precisa explicar?), aconteceu no Golden Gate Park, em San Francisco, e pouca gente entendeu a gravidade da coisa. Mas a gente explica.
No último sábado, o The Strokes subiu ao palco do festival Outside Lands com aquela marra habitual de quem inventou o indie do século 21. Mas o grande momento da noite, e talvez do festivalzão californiano todo, não foi Julian Casablancas divagando ao microfone as coisas que só ele entende, e sim a aparição surpresa da musa pop Charli XCX para cantar o hino “Take It or Leave It”, uma das “pedras fundamentais do novo rock”.
Corta para duas semanas atrás: no mesmo dia de julho, os dois despejaram discos novos no streaming. Os Strokes vieram com “Reality Awaits”, tentando provar que as guitarras deles ainda importam, e também os autotunes, talvez.
Do outro lado, Charli — saindo da ressaca da era Brat — soltou “Music, Fashion, Film” abrindo os trabalhos logo com uma faixa chamada… “Rock Music”. Uma declaração de guerra pop-industrial com cheiro de mosh pit.

No palco, sábado, Julian não se aguentou: se ajoelhou, brincou sobre a batalha de vendas nas paradas da “Billboard” e decretou: “Ela nos venceu. Venceu por muito”. Segundos antes, na apresentação da surpresa da noite, o vocalista dos Strokes falou assim: “Temos uma pequena convidada especial agora. Temos A CONVIDADA. Uma superstar”. Começou mal o discurso mas arrumou logo na mesma frase.
E a simbiose ali diz muito sobre o estado atual da música. Enquanto os dinossauros do indie tentam não virar peça de museu, a maior estrela pop do planeta resolveu assaltar o rock de jaqueta de couro. O encontro deles em São Francisco foi o aperto de mãos definitivo entre o passado que resiste e o presente que dita as regras. É o rock sobrevivendo, mas agora sob os termos de Charli XCX.
Não sabemos exatamente por que foi a espetacular “Take It or Leave It” a música escolhida para a participação vocal de Charli XCX, mas Julian deixa a moça começar cantando sozinha e talvez isso diga algo:
“Leave me alone
I’m in control
I’m in control…”
O dueto rolou glorioso. No meio da música, quando as fantásticas guitarras gritavam, dançaram destrambelhadamente, fingiram briguinhas e, quando a canção acabou, Charli sai do palco gloriosa com Julian berrando para saudá-la ao público: “Charli Motherfucker XCX…”
Veja abaixo.