Top 10 Gringo – Mais Charli, mais Strokes. Mas também Fat Dog, Beatles, Sienna Spiro e o impressionante Nirosta Steel e seu disco novo de 40 anos. Semaninha boa de new music
POSTADO DIA 31/07/2026
De olho no extraordinário da CENA celebramos esta semana o pai de alguns dos seus artistas favoritos, literalmente ou espiritualmente talvez, o seu Maurício Pereira! Também checamos a quantas andam os sonhos reais da Maglore, a nostalgia futurista de Marina Mole e o cosmos infinito da Raquel Diamantas. E como quem não quer nada, mandamos também uma dica de som brasileiro para a Charli XCX. Será que ela lê a Popload?

O extraordinário só existe com a participação do ordinário. Maurício Pereira, conhecido também por ser pai do Tim Bernardes, observa isso dentro de toda sua obra. Repare em “Trovoa”, sua canção mais conhecida, onde ele fuma um Marlboro na rua como todo mundo. Ou a belíssima “Dia Útil”, sobre a rotina de trabalho do artista. O padrão, o comum, o modelo, reaparece na faixa de abertura do seu novo álbum, “Dia da Girafa”. Ao retratar esse homem standard ele mesmo, Maurício encontra de novo o extraordinário: esse qualquer um que namora a Sandra, chupa laranja e trabalha até tarde para alegrar a gente com suas canções. De fato, ele é Walter Stuart ou um peixe chamado Wanda.
Em “Sonho Real” de Ronaldo Bastos e Lô Borges, eles dizem: “Chega e instala a beleza/ Momento de sonho real”, ao falar sobre encontrar um par perfeito nesta vida. A “Sonho Real” de Teago Oliveira, primeiro single da Maglore para o álbum “Fluxo Natural” (sai 14 de agosto), recupera essa vontade amplificada ainda mais no lado B, a apaixonada “Raio de Sol”, escrita por Lucas Gonçalves: “Hoje eu tirei o dia todo para pensar em você”, diz a canção. Sonho vira realidade, vira um dia bom, o amor é o caminho – começo, meio e sem fim.
Cantora que estamos bem de olho, a Marina Mole vai lançar seu segundo álbum em setembro, chamado “Azucrim”. Figura carimbada do underground paulistano, a cantora, compositora e artista visual vem costurando uma sonoridade deliciosa em fita de rolo que às vezes tem cara de eletrorock de vanguarda, outras de surf rock sessentista e, como agora, em seu mais recente single, “Slowdancing”, um garagem punk tipo poesia falada, meio angelical/meio demoníaco, que remete tanto à Nova York do começo dos anos 80 quanto à Barra Funda 2026. Impressão é a de que vamos nos divertir bem quando “Azucrim” sair. Detalhe: o vídeo de “Slowdancing” é um who-is-who da cena indie nacional, com participação de integrantes das bandas Oruã, Exclusive os Cabides, Tutu Naná, Caco/Concha e Radio Color.
Ao escrever sobre diversos períodos da maternidade, Raquel Diamantas apresenta em “Cosmo Dorme”, seu segundo álbum, uma pequena descoberta de sensações e ritmos, como se desbravasse o mundo todinho pela primeira vez igual seu filho Cosme faz agora – filhote que aparece na capa do disco sendo amamentado pela mãe sentada no para-choque de uma caminhonete. O conceito do trabalho passa por um dia na vida, mas como diz ela “é um dia em que cabem todos os dias”. Pelo visto, ele já está rodando por aí vendo os belos dias e os não tão belos também, faz parte. Destaque também para a presença de Guilherme Lirio, atualmente viajando com a Dora Morelembaum por aí. Ele co-produziu e aparece em diversos instrumentos, saca a lista imensa: voz, coros, baixo, guitarras, violão de aço, violão de nylon, lap steel, Rhodes, Pocket Piano, Piano Elka 88, sintetizadores (Juno, Pocket Piano), Glockenspiel, AutoHarp, Maestro RK-2 Drum Machine, programação de bateria eletrônica, samples, afoxé, shakers e pandeirola.
Gui Hope, mineirinho que talvez você conheça da Chico e o Mar e de produções que fez para Paíra e Clara Bicho, estreia solo em “Eu Sei”, misturando tudo o que gosta ao mesmo tempo: o glitch eletrônico, um tanto do funk de BH e também suas influências mais antigas, como emo, nu metal dos anos 2000. Nada disso vai aparecer explícito ali, está nas entrelinhas, nós sabemos, Gui! Alguém manda esse som para a Charli XCX!!!
Um dos aspectos mais legais do gigantesco projeto “Equilibrium”, da Anitta, que chega a sua segunda parte, é o espaço que ela dá para artistas imensos que ainda não alcançaram o público na proporção merecida. Sim, o novo álbum tem as participações gigantescas de Maria Bethânia e Alceu Valença, mas também abre espaço para Katu Mirim, Leticia Fialho e Mc Tha, que tanto já frequentou nosso top 50. Anitta conheceu o trabalho de Tha, que já ligava a linguagem do funk com a linguagem da umbanda, através dos fãs clamando por uma parceria. Atenta, Anitta fez o convite para as duas se esbaldarem juntas na gostosinha “Sem Pressa”, um chamado a dar tempo ao tempo. “Vou passeando devagar/Com calma pra aproveitar/Prefiro até me atrasar/Porque a vida com pressa não presta”.
Você vai ler o título, ver a capa, ver o visual dela e pensar que a Pablo resolveu imitar a fase roqueira da Charli XCX – amplificadores, guitarras, visual dark. Mas é só dar play em “Rockstar” para ver a real, não é nada disso, Pabllo segue fissurada em clube, música para dançar legal – mais e mais eletrônica e cantando em inglês e em espanhol com a porto-riquenha Villano Antilano. Se pá, a missão de “Love In Lust”, seu próximo álbum, é conquistar o mundo.
Por falar em conexões, semana passada Leoni postou em seu Instagram uma foto compondo uma parceria inédita com Sophia Chablau. O resultado dessa nova liga ainda não veio a público, mas temos a duplinha entregando uma versão ao vivo para a clássica “Exagerado”. De acordo com Sophia, uma das primeiras que ela aprendeu no violão e responsável por embalar muitas paixões exageradas suas.
Enquanto toca sua própria carreira, Rodrigo Vellozo pensa bastante no quanto a música de seu pai, Benito Di Paula, fica de canto quanto ao reconhecimento de premiações e da mídia. Com os 85 anos de Benito, uma das missões do filho parece ser promover alguma justiça à uma obra tão bem acabada. Recorreu aos amigos Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça para um conjunto de releituras que abraça parte do repertório do álbum “Benito de Paula” de 1976 e outras músicas menos conhecidas, inclusive, “Último Andar”, gravação que não aparece em nenhum dos discos oficiais do cantor. O encontro da voz de Rodrigo com a visão de samba aberta do time de músicos deu muita liga.
Cumulonimbus, de acordo com a Wikipédia, “é um tipo de nuvem (…) diretamente associada com a ocorrência de tempestades com raios, trovões, chuva forte, ventos fortes, granizo e, às vezes, tornados”. “Cumulonimbus” também é o nome do próximo álbum do Rashid, previsto para agosto. Este “YOWA”, primeiro single, dá uma ideia dos motivos por trás do título do disco – a faixa é tensa. Yowa é o cosmograma bakongo, uma representação gráfica dos ciclos da vida, do universo e do tempo. Ao formar uma cruz, o símbolo apresenta a encruzilhada constante da vida, o trânsito; para se ter o dia é preciso passar pela noite. A maturidade de Rashid se apresenta ao saber aceitar esse movimento. Lembram quando o rapper teve duas apresentações no Lollapalooza canceladas pela chuva? Ele lembra e avisa: “Pra quem viu o que eu vi, realidade deu só o que restou/ Sabem que a maior tempestade que eu vivi não foi a que parou meu show”. O conselho é “saber que o caminho de ida também é a volta”.
11 – Gilberto Gil e Mônica Salmaso – “A Paz” (2)
12 – Black Pantera – “Start the Game” (2)
13 – Felipe Cordeiro – “A Festa” (2)
14 – Bruno Berle – “Você Já Sabe Que Eu Te Amo” (3)
15 – SEXCORP. – “Até Quando” (3)
16 – Joyce, Tutty Moreno e Adrian Younge – “Is This Love?” (3)
17 – Rincon Sapiência – “Homem Gol” com Marissol Mwaba e Péricles (4)
18 – Julia Guedes – “Contra o Medo” (4)
19 – Liniker – “Melhor Notícia” (4)
20 – Linn da Quebrada – “Nuvem Negra” com Fernando Catatau (5)
21 – Ema Stoned e Edgard Scandurra – “Conza das Horas” (5)
22 – Teresa Cristina – “Quando a Onda Passar” (6)
23 – Lô Borges – “Última Parada”/”Chegada” (7)
24 – Thiago Jamelão – “Apaixonado” (7)
25 – Alice David – “Terra Sem Rei” (7)
26 – Ítallo – “Nina do Avon” (8)
27 – ULTRALEVE – “Negativo” (8)
28 – João Carvalho – “Serra do Caraça/Itaúnas (Para Milton)” (8)
29 – Lulina – “Outras Vezes (com Ana Frango Elétrico)” (9)
30 – Luedji Luna – “Ela É o Que Há (com Jadsa)” (9)
31 – Michelle Abu – “Talvez Amor” (9)
32 – Bebé – “Meu Peito” (9)
33 – Exclusive Os Cabides – “Castelos de Areia” (10)
34 – Tangolo Mangos – “Vou Acordar com Essa Nova Ideia na Cabeça” (11)
35 – Marina Liori – “Água na Boca (com Tori)” (11)
36 – Juçara Marçal e Thais Nicodemo – “Cavaquinho” (12)
37 – Marcelo Cabral – “Grito” (15)
38 – Marabu – “Manda Beijo” (15)
39 – Buhr – “Voaria” (15)
40 – Novíssimo Edgar – “Zum Zum Zum” (16)
41 – Silva – “ROLIDEI” (16)
42 – Febem, Fleezus & CESRV – “M.P.B” (17)
43 – Rael – “Forma Abstrata” (17)
44 – Marina Lima – “Um Dia na Vida (com Ana Frango Elétrico)” (18)
45 – Cidadão Instigado – “Medo do Invisível (com Kiko Dinucci e Jadsa)” (18)
46 – Schlop – “Clássicos” (18)
47 – Seu Jorge – “River Man (com Beck)” (18)
48 – Kuczynski – “Music 4 a Strip Club” (18)
49 – Ottopapi – “Meus Podres” (19)
50 – Mombojó – “Abaixo a Realidade (com Letrux” (19)
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* Entre parênteses tem a indicação de quantas semanas a música está neste Top 50.
** Na vinheta do ranking, o músico Maurício Pereira, em foto de Bruno dos Anjos.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.