Os indies choram: canais importantes como BrooklynVegan e Alternative Press podem estar perto do fim. Ao menos como nós os conhecíamos…
POSTADO DIA 05/08/2026

De Arca a Weezer. Da música mais chocante do mundo hoje até discussões um pouco passadas sobre nostalgia e indústria. Respeitamos todos os debates neste Top 10. Escolha seu caminho, já dizia os Racionais.

Você dá play no novo álbum da Arca, “XXXXX”, e eles vibram mesmo com o volume controlado. Que feitiçaria será essa? A sensação é a de que o equipamento que usamos sequer dá conta da presença de sua música – o ideal seria arrumar a maior aparelhagem possível e ouvir o álbum na rua com geral, talvez. “XXXXX” mantém a linhagem das mixtapes da artista venezuela: “&&&&&”, de 2013, e “@@lucio@uol.com.br@”, de 2020. São produções onde ela parece antecipar seu som já bastante experimental, tipo ensaio, seja o ensaio da escrita, o ensaio para uma peça de teatro. Peças para um futuro distópico cada vez mais presente. Estamos falando de uma artista natural de um país que tem seu líder encarcerado em Nova York após um sequestro promovido por Trump. Imaginar uma pessoa que só conhece música pop e soube da Arca através da Madonna em “CONFESSIONS II”. Imagina o choque. É como colocar a pessoa direto no real sem qualquer manto ideológico cobrindo. Dá até medo. Esse é o poder da Arca.
No poderoso “Sexistencial”, da Robyn, álbum lançado em março deste ano, a faixa “Talk to Me” é um dos grandes momentos até por carregar nos seus versos o título do álbum. Na letra, Robyn meio que pede ajuda para alguém para falar com ela, já que “não é tão bom quando estou sozinha”, saca? Justo que este som mereça uma mãozinha, no caso, um remix da Zara Larsson, compatriota e velha parceria de Robyn. A música ganha uma estrofe nova e fica ainda mais quente com um gás novo na batida.
Antecipando uma tendência atual, a inglesa Rachel Chinouriri construiu em 2024 em “What a Devastating Turn of Events” uma intrincada e fresca mistura de pop com indie, colocando feedback e outros ruidinhos para conversar com bases eletrônicas encorpadas. Se seu nome ainda não é mega conhecido, paciência. Ela já veio até fazer show no Brasil. O próximo passo da artista será “I Think I Spoke too Soon”, seu segundo álbum. O que será que ela disse cedo demais? Pelo tom e letra do primeiro single, “One Song Away from Crying”, bateu alguma angústia em plena balada. Quem nunca, né? Os timbres eletrônicos mais frios lembram muito Chairlift, o antigo duo da Caroline Polachek.
Geralmente escrevemos sobre James Ford, metade do Simian Mobile Disco e produtor das nossas bandas favoritas ( Arctic Monkeys, Blur, Haim, Gorillaz, Pulp, Geese e tantas outras), sem incluir o Ellis. Mas James Ellis Ford é o nome assumido por ele quando escreve solo. Em 2023, estreou com “The Hum” e segue agora com “Lost In Another World”, disco previsto para o fim do mês. O novo trabalho foi escrito durante uma situação delicada no começo do ano passado. James recebeu o diagnóstico de leucemia e encarou sessões de quimioterapia. Diante da situação difícil, a escapatória foi escrever músicas nos intervalos. “Lost in Another World” foi composto com ele desabafando e escrevendo no notebook, algo que pode ser notado pelo títulos das músicas: do positivo “This Too Shall Pass” (“Isso também vai passar”) até o delicado “Did You Ever Want to Go to Your Own Funeral?” (“Você já quis ir ao seu próprio funeral?”). Apesar da situação, James não abriu mão de escrever o que gosta e sabe fazer melhor: músicas para a pista de dança. Foi seu jeito de ir atrás da cura.
A inglesa Matilda Mann apareceu como uma promessa inglesa de um folkzinho pop até com ares de rock. Tudo meio entre o fofo e o rústico. Seu próximo álbum, “Kismet”, que sai em setembro, parece jogá-la de vez no pop, como indica este single, “After the Love”, uma música perfeitinha para você sair cantarolando. Inclusive, este é o mote do vídeo da canção, com Matilda andando por aí dançando enquanto ouve sua música em um charmoso walkman. Olha a volta do analógico aí!
Outro nome do pop inglês sofisticado é a Gia Ford. Cedo ela assinou com o selo dos The 1975 e fez um som bem alinhado entre pop, rock e eletrônico. Agora em seu segundo álbum, “A Room within a Room”, ela investe em uma sonoridade mais orgânica. Algo entre Scott Walker ou o Arctic Monkeys da fase “Tranquility Base Hotel & Casino”. Funciona bem à beça.
O New Radicals é o maior caso de falso one-hit wonder da história. Ou quase isso. Primeiro: eles têm dois hits, vai: “You Get What You Give” e “Someday We’ll Know”. Segundo: Gregg Alexander, metade do New Radicals, é dono de hits de outras pessoas, tipo “Murder on the Dancefloor”, da Sophie Ellis-Bextor, ou “The Game of Love”, do Santanna e da Michelle Branch, recentemente regravada pelo New Radicals. Discussão à parte, a banda voltou de seu longo hiato de novidades para registrar uma inédita para o filme “One Night Only”, novo filme de Will Gluck, o diretor de “Anyone But You”, aquele com a Sydney Sweeney e o Glen Powell, sabe? “One Night Only (Break Loose Break Free!)” mostra que quem sabe não perde o jeito.
Outro presentinho na trilha de “One Night Only” é uma versão da querida King Princess para o hit do John Paul Young, um legítimo one-hit wonder! Detalhe: a produção é da Este Haim, que também colabora na trilha sonora com um track só dela que se chama justamente “One Haim Only Plus a Stray”, uma instrumental bacaninha.
Will Gluck é o diretor de um dos primeiros filmes da Emma Stone, “Easy A”. “Easy A” também é o título de um dos raps da sul-coreana Luci Gang, um dos presentes que recebemos estes dias do algoritmo do YouTube, que sabe indicar vídeos de música legais quando você não passa o dia vendo podcast entrevistando bárbaros. Fomos pesquisar, com um bom tradutor para decifrar o sul-coreano, e descobrimos que a Luci já tem uma longa carreira, mas esse é o seu primeiro lançamento por um selo maiorzinho. Será que o k-rap será um dia tão grande quando o k-pop?
A luta do velho Weezer contra si mesmo não é de hoje. Enquanto Rivers Cuomo parece tentar ampliar o escopo da banda, uma junção de pressão dos fãs e da indústria ama a banda da maneira que era no começo dos anos 1990. Esse tormento funciona como um CEO internalizado cobrando por resultados. E lá vai o Rivers tentar replicar a magia do passado – o vídeo da música redobra a ironia disso tudo com CEOs tentando convencer a banda a fazer um vídeo idêntico ao de “Undone”: “As pessoas estão sedentas por nostalgia”.
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* Na vinheta do Top 10, a cantora venezuelana Arca.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.